Jogadora do Cruzeiro e participante de projetos sociais em Bauru, Luana Theodoro fala sobre carreira, expectativas e origens

Cristian Bessone

Luana Theodoro, mais conhecida como Luaninha no universo do futebol feminino, simboliza mais do que habilidade esportiva; ela representa o potencial transformador do futebol na vida de uma pessoa. Sua história transcende as conquistas em campo, destacando como o esporte pode moldar o caráter, promover a inclusão social e fomentar o desenvolvimento pessoal e profissional.

Luana em jogo pelo Cruzeiro. Foto: Reprodução/Instagram

Desde pequena, em Bauru, Luana foi positivamente impactada pelo projeto “Criança no Esporte é Vida”. Esse programa atuou como catalisador para seu desenvolvimento não apenas como atleta, mas também como pessoa. Luana relembra: “O verdadeiro valor que eles veem dentro de um projeto é o que você realiza nele. É sobre sair de lá sendo um bom cidadão ou não.” O projeto não apenas a introduziu ao mundo do esporte, como também lhe ensinou a importância do trabalho em equipe, do respeito mútuo e da disciplina — valores que ela carrega até hoje.

Por meio do programa, Luana aprendeu a valorizar a inclusão e a diversidade, aspectos que se tornaram fundamentais em sua vida profissional e pessoal. “Através do projeto, aprendi que cada criança tem seu próprio valor e que todos nós temos algo a contribuir para a sociedade, independentemente de nossa origem ou capacidade física”, explica Luana. Esse entendimento moldou sua abordagem ao futebol e à vida, incentivando-a a ser uma defensora da inclusão social dentro e fora dos campos.

A transição de Luana para o Santos, como uma das Sereinhas da Vila, marcou um período de crescimento acelerado em sua carreira. Sua estreia profissional foi notável, com um gol marcante na vitória de 5 a 0 contra o Audax, destacando sua habilidade técnica e tática. Esse jogo, realizado na Vila Belmiro durante a quinta rodada do Brasileirão Feminino, solidificou sua reputação como uma jogadora promissora. “Cada jogo é uma nova oportunidade de crescer, tanto dentro quanto fora de campo”, reflete Luana.

Luana, em treino com bola no CT Rei Pelé, em Santos. Foto: Reprodução/Instagram

Sua experiência no Famalicão, em Portugal, representou não apenas uma chance de jogar fora do Brasil, mas também uma oportunidade de amadurecer fora do ambiente familiar. “Quero que você saia daqui como uma pessoa melhor, sabendo que tem um papel a cumprir na sociedade, não apenas no futebol, porque a vida é muito mais do que isso” – disseram os pais de Luana, ao serem perguntados sobre a saída para a fora do Brasil.

De volta ao Brasil e atuando pelo Cruzeiro, Luana continua a usar sua influência para promover mudanças. Ela discute a responsabilidade de ser um modelo para as jovens jogadoras. “Sempre me disseram para ser uma pessoa melhor”, reitera a importância dos projetos sociais em sua formação e o desejo de transmitir essas lições. “Agora, como profissional, sinto que posso retribuir, ajudando a inspirar a próxima geração da mesma forma que fui inspirada.”

A jornada de Luana no futebol também reflete as lutas enfrentadas por mulheres neste esporte, tradicionalmente dominado por homens. Ainda que o cenário esteja mudando, as mulheres no futebol frequentemente enfrentam desafios relacionados à falta de apoio, menor visibilidade e disparidades salariais em comparação aos seus colegas masculinos. Luana, consciente dessas barreiras, usa sua visibilidade para trazer à tona essas questões, inspirando mudanças através de sua atuação exemplar e do seu compromisso com a inclusão e a equidade de gênero no esporte. “Eu luto para que as futuras gerações de jogadoras sejam julgadas apenas por seu talento e determinação, e não pelo seu gênero”, afirma Luana, ecoando o sentimento de muitas jogadoras que perseguem seus sonhos no futebol.

Luaninha comemora gol contra o Real Brasília, pelo Campeonato Brasileiro. Foto: Cruzeiro

Olhando para o futuro, Luana é otimista sobre o impacto de sua carreira dentro e fora dos campos. “A gente vem com mais conteúdo. Passei pelo sub-17 e sub-20 do Santos, além de ter estado na Seleção sub-20 também. Ou seja, eu trabalhei muito na teoria por trás do futebol”, explica como seu desenvolvimento contribui para seu papel como líder e inspiração. Ela destaca: “Entender o jogo não é apenas sobre o físico; é entender a mente, a estratégia e como podemos usar o futebol como uma força para o bem.”

A história de Luana Theodoro é um poderoso lembrete do papel vital que o esporte pode desempenhar na formação da juventude. Não apenas em termos de habilidades físicas, mas como uma ferramenta para ensinar valores de vida importantes, como respeito, disciplina e a importância do trabalho duro. Luana não apenas aspira a grandes feitos esportivos, mas também a impactar positivamente a comunidade e inspirar a próxima geração a usar o esporte como um veículo para sucesso e transformação pessoal. Sua jornada prova que o futebol pode ser muito mais do que um jogo — pode ser um caminho para uma vida melhor.

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