Projeto que incentiva jovens na carreira musical foi contemplado no edital do Cultura em Ação na cidade

João Vitor Segura, Bruno Colesanti e Thais Evangelista

Formada por jovens estudantes da cidade de Bauru, a Orquestra Sinfônica Municipal surgiu pela Lei 5140, instituída pela Câmara Municipal em maio de 2004. Desde sua criação, o projeto vem despertando a criatividade musical e tem como objetivo principal a democratização do ensino musical. 

A Orquestra é regida por Paulo Marcos Gomes, trompetista formado pelo Conservatório de Tatuí (SP), mas também conta com uma equipe de monitores e líderes de naipes. Até o momento, são mais de 70 estudantes que estão divididos em quatro naipes, sendo eles cordas, percussão, metais e madeira. 

Além da Orquestra, há também a Banda Sinfônica, que é regida pelo maestro Devanildo Balmant desde o começo do projeto. Apesar de serem dois grupos e trabalharem em conjunto, os maestros dizem que a banda e a orquestra possuem algumas diferenças. Alguns alunos da banda tocam na orquestra, como por exemplo, os sopros, mas os de corda da orquestra não tocam na banda, por serem exclusivos.

Jovens entre 11 anos e 15 anos podem participar do projeto por meio da inscrição em um Curso Preparatório de Teoria Musical, que oferece vagas gratuitas no início e no meio do ano. O curso tem como objetivo o estudo e prática de instrumento, e então os estudantes participam de uma prova e, caso sejam aprovados, ocupam uma vaga no programa. 

O projeto também oferece outros três tipos de incentivos de estudos. A bolsa escola nível um são para alunos com experiência mínima de quatro anos na prática de um instrumento. Esses estudantes, no caso, são responsáveis por supervisionar e acompanhar o ensino dos líderes de naipes. A bolsa nível dois são os líderes de naipes, que coordenam o projeto e precisam de experiência de no mínimo dois anos na prática de um instrumento e de estudo musical.  Por fim, a bolsa escola nível três é destinada para estudantes do ensino fundamental, médio e universitário, podendo ser da rede municipal, estadual e até particular. 

Além disso, a Orquestra de Bauru possui outros objetivos complementares, como por exemplo, despertar no jovem a sensibilidade musical, estimular a criatividade, formar grupo musical estável com jovens estudantes das escolas públicas, proporcionar acesso à formação cultural, buscando a socialização e a cidadania e contribuir no processo de formação educacional do aluno.

Como o projeto funciona 

O Secretário Municipal de Cultura, Paulo Eduardo Campos, conta em entrevista quais são os apoios que o projeto recebe além das bolsas de estudos. O secretário diz que a prefeitura municipal apoia com verbas para o aluguel da sede, infraestrutura e até mesmo o custo dos instrumentos, que são importados. “É um investimento muito grande. A gente sempre está em conversa com o Paulo Marcos e com o Devanildo, para ver o que eles estão precisando lá dentro. Por exemplo, é o palco que vai precisar?  É uma estrutura de partitura?  Tudo isso, a gente vai investindo com essa tem essa união”.

Para Devanildo Balmant, sem esse apoio, o projeto não existiria. Para ele, o investimento em cultura no país é bem diferente de outros lugares. “Nós temos amigos e alunos que estão pelo mundo hoje produzindo cultura e  têm os aportes também públicos, mas sempre com os aportes desses casos, da sociedade, de homens e tudo mais.  No nosso caso, isso é muito mais complicado. A gente é totalmente estruturado em cima da nossa Prefeitura,  da Secretaria”.

O secretário Paulo Eduardo Campos também comenta a importância do edital “Cultura em Ação” para Bauru. Segundo ele, é um modo de valorizar a cultura da cidade e também artistas, que participavam de eventos, mas não recebiam cachê. “A gente pensou nesse modo para fazer um edital que contemplasse todos esses artistas da nossa cidade. Neste ano já aumentou esse leque, então não tem só DJs e bandas. Tem cosplay, tem palestrante, tem drag queen, bastante gente participando. Até produtor cultural  esse ano também a gente colocou no edital. Hoje são 126 apresentações neste edital agora de 2024 do “Cultura em Ação”, com 17 eventos.  Então a gente espera que nos próximos anos a gente vá aumentando cada vez mais esses eventos e a contratação também desses artistas da nossa cidade”. 

E os editais vão além do “Cultura em Ação”. Há também projetos voltados para a área da biblioteca, palestrantes, workshops, e artes cênicas e teatro. Paulo Campos destaca que os investimentos não se limitam apenas à banda e à orquestra sinfônica, mas há também a reforma do Teatro Municipal, que não se fazia há mais de 20 anos, com mais de R$ 300 mil investidos.

Paulo Campos, Devanildo Balmant e Paulo Gomes, Maestro. (Foto: Bruno Rys Colesanti)


Segundo o responsável pela Orquestra, Paulo Marcos, a maior conquista da organização até os dias atuais é o fato de estarem, atualmente, consolidados como formadores de músicos. Para ele, a união de músicos é referência dentro da região no respectivo aspecto, visto que as corporações das cidades da região são abastecidas com músicos formados na Orquestra.

Para Paulo, um dos grandes, senão o maior desafio do projeto é trabalhar com crianças e adolescentes que nunca tiveram contato com a música erudita, com um instrumento, como, por exemplo, um violino. Além disso, a responsabilidade de fazer parte da criação e maturação desses jovens é um grande ponto a ser enfrentado, junto do fato de mostrar todo esse universo musical para essas pessoas em maturação.

Uma das propostas do projeto é que, mediante o ensino e a tutela, os participantes desenvolvam uma sensibilidade musical em um período curto. Para o tutor da Orquestra, a ideia é “plantar uma sementinha” nas crianças, pelo menos para que elas entendam, em termos de sonoridade, os conceitos, as diferenças e as semelhanças de uma banda e uma orquestra. Somado a isso, outros aspectos como autoafirmação, cooperação, disciplina e respeito são semeados no projeto em questão.

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