À medida que mergulhamos na história da cidade, encontramos três vozes distintas, cada uma representando uma fase diferente e uma visão sobre sua identidade
Laura Calze Sipoli e Vitória Aguiar Kimura
Bauru, o coração do centro-oeste paulista, tem seus contornos entrelaçados com os sabores e histórias que a tornam única. Assim como o famoso lanche que leva seu nome, encontramos as pessoas que moldaram e foram moldadas por essa cidade ao longo dos anos. É a partir de suas experiências que podemos compreender a verdadeira essência deste lugar.
À medida que mergulhamos na trajetória de Bauru, encontramos três vozes distintas, cada uma representando uma fase diferente da vida desta cidade e com uma visão sobre a identidade enraizada nela.
Para aqueles como Ana Marina da Silva, de 74 anos, que apreciam a tranquilidade e a sensação de segurança de Bauru, ser bauruense é pertencer a um lugar que acolhe seus moradores. A cidade, estrategicamente localizada no “entroncamento de todas as rodovias e ferrovias do interior paulista”, segundo Ana, oferece, não só comodidade logística, mas também um ambiente propício para criar e cultivar relações familiares. “É a verdadeira cidade sem limites”, comenta a aposentada.
Estação central de Bauru é o maior entroncamento férreo da América Latina (via projeto museu ferroviário)
Por outro lado, há quem, como Luiza Xavier, farmacêutica de 49 anos, encare a identidade bauruense como uma questão de origem, uma herança que se manifesta independentemente das escolhas pessoais ou experiências vividas. Em contrapartida, Guilherme Bovolin, estudante universitário de 20 anos, acredita que a essência de ser bauruense reside na capacidade de se sentir em casa, mesmo em meio a pessoas de diferentes origens que ocupam a cidade. “É a hospitalidade e a receptividade dos bauruenses que me fazem sentir parte da comunidade”, afirma.
Apesar disso, para descrever um bauruense ele não esconde o descontentamento para lidar com pessoas irredutíveis: “as pessoas têm a mente muito fechada. Não existe muita abertura para diversidade, principalmente entre os mais velhos”. Ao contrário da opinião do jovem, Luiza não tem a mesma percepção. Para ela, os habitantes são solícitos e simpáticos, “a típica personalidade interiorana”. Em relação a isso, Ana concorda e cita sua mudança para Bauru ainda na primeira infância e como foi bem recebida no bairro em que morava. “Tive uma infância difícil e éramos cinco irmãos. Quando chegamos em Bauru, uma vizinha sempre me deixava entrar em seu sítio para comer maracujás”, conta a ex-corretora.
Além das diferenças entre as gerações, cada um dos entrevistados presenciou uma gestão diferente da cidade. Na década de 80, Ana se divertia ao som da banda municipal que se apresentava no coreto da praça Rui Barbosa, no centro da cidade. Segundo ela, naquela época, a prefeitura proporcionava eventos para toda família, como a antiga feira das nações, que acontecia anualmente e reunia muitos cidadãos, até mesmo de cidades vizinhas.





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