De “rua dos esquecidos” a um dos mais famosos cartões postais da cidade
Giovana Keiko, Kevilin Alves e Mateus Ferreira

A maioria dos moradores de Bauru já ouviu alguém dizer o verbo “Batistar”, termo utilizado para explicar que irá fazer compras, ou apenas passear no Calçadão da Batista de Carvalho, um dos principais pontos comerciais da cidade.
A rua foi aberta no final do século XIX com grande fluxo de viajantes, ferrovias e seus operários; e era conhecida como “rua dos esquecidos”. Até que, em 1904, o prefeito Gerson França a nomeou de rua Batista de Carvalho. Desde então, passou a ser o maior centro comercial do município, com diversas lojas e comerciantes, acumulando um volumoso número de tráfego de veículos e pedestres.
Durante aproximadamente 88 anos, desde a mudança de nome, o famoso centro de Bauru era frequentado de diversas formas, e não só “a pé” como é atualmente.
Segundo registros de arquivos do Jornal da Cidade de Bauru, o calçadão, como conhecemos hoje, teve o primeiro vislumbre no dia 7 de maio de 1992, quando foi anunciado que a primeira etapa da reforma e mudança seria concluída no dia 15 do mesmo mês. Porém, a inauguração oficial foi no dia 21 de agosto de 1992, às 18h30, quando o prefeito Antonio Izzo Filho cortou a faixa na quadra 1.
A reforma foi alvo de muita polêmica na época. Muitos boatos circularam, entre eles, o de que a obra custou mais do que o esperado, insinuando que foram feitas atividades ilegais no projeto. Segundo o prefeito da época, a licitação foi de 1,25 bilhão de cruzeiros e, em fala para a inauguração, ele garantiu que todas as atividades foram todas conforme a lei.
Hoje, com mais de 30 anos desde a última mudança radical, o “esquecido e abandonado” calçadão da Batista de Carvalho, como dizem os bauruenses, encontra-se em reforma novamente.
Reforma nos dias de hoje
A reforma seguirá uma ordem, começando pela primeira quadra da rua – onde se encontra neste momento – até chegar na última. As obras estão acontecendo somente em horário comercial, o que causa um atraso no andamento.
A prefeitura divulgou que seriam sete funcionários trabalhando no local, além do engenheiro, mas, segundo os comerciantes, no dia a dia são vistos apenas três. Não há previsão de finalizar e passar para próxima quadra.
Ainda que as obras estejam acontecendo, há como ter acesso às lojas da quadra 1, mas com algumas restrições. Um funcionário que não quis se identificar, disse que, por conta do piso irregular, tanto da reforma, quanto da parte que ainda não foi modificada, idosos constantemente tropeçam e correm o risco de se machucarem, além de ser um problema para crianças e pessoas com dificuldade de locomoção.
“O movimento diminuiu bastante. Às vezes, as pessoas pensam duas vezes antes de vir para o centro, por conta da reforma. E muitas não sabem que ainda tem como chegar nas lojas e ficam receosas”, diz Catarina Cristóvão, dona da loja Encanto Fantasias, estabelecida na primeira quadra do calçadão.
Por outro lado, Catarina tem boas expectativas com a obra. “Nós estamos felizes por ter começado na nossa quadra, que é a primeira do calçadão. É uma quadra um pouco esquecida, mas foi onde todo o comércio central começou, por conta da rede ferroviária” relata a comerciante.
Segundo os comerciantes da quadra 1, eles não tiveram problemas com água e energia. O DAE realizou o trabalho nos finais de semana e depois do horário comercial.
Osvaldo, que trabalha como lancheiro no trailer “Calçadão Lanches”, acredita que a reforma pode ser benéfica, ainda que demorada. “Eu acho que vai melhorar, exige paciência e poderia ser mais ágil, mas eles estão andando a passos de tartaruga”.
Previsões e projetos
Segundo a assessoria da prefeitura de Bauru, “a revitalização do Calçadão da Batista de Carvalho visa resgatar o sentimento de orgulho da população para uma das principais áreas da cidade e com isso potencializar cada vez mais o comércio na região central”.
O projeto prevê a implantação de áreas verdes, que substituirão os arcos sem cobertura em todos os quarteirões, para amenizar o calor e criar sombra natural. Já os dois arcos cobertos de cada quadra serão revitalizados. A proposta também inclui a acessibilidade, com piso tátil e rampas.
Veja a reforma do calçadão e as quadras que a aguardam




