Chuvas e alagamentos atormentam a vida dos cidadãos, que buscam por soluções
Laura Santos e Rafael Oliveira
Fortes ondas de calor seguidas por duros períodos de estiagem. Tempestades violentas, capazes de destruir residências e levar automóveis. Essas situações têm se tornado cada vez mais comuns não só em Bauru, mas no mundo todo. Segundo um relatório feito pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), o número de fenômenos meteorológicos extremos se multiplicou nos últimos quatro anos. A causa desse aumento não é nenhuma novidade: as emissões de gases de efeito estufa, que incidem no aquecimento global.
O que é aquecimento global?
Trata-se do aumento gradual da temperatura média da superfície da Terra. Por mais que esse aumento seja natural, atualmente ele ocorre em um ritmo muito mais acelerado, principalmente devido às atividades humanas, que liberam gases de efeito estufa. Esses gases retêm o calor na atmosfera, aquecendo o planeta.
Aquecimento global: 4 afirmações sobre as mudanças climáticas que a ciência desmentiu
Gráfico – https://public.flourish.studio/visualisation/17620464/
De que forma Bauru é afetada?

Com o aumento do número de tempestades, um dos maiores problemas estruturais da cidade é evidenciado: a falta de planejamento na urbanização. Bauru surgiu entre córregos e rios, sendo os principais o Rio Bauru e o Rio Batalha. Originalmente, a permeabilidade do solo arenoso predominante na região permitia que as águas fluíssem facilmente.
Com a urbanização e o asfaltamento das vias, o solo perdeu sua capacidade de absorção natural, tornando-se impermeável. Isso resulta em frequentes alagamentos em áreas mais baixas, uma vez que os sistemas de drenagem existentes, como bueiros e bocas de lobo, não são suficientes para lidar com chuvas intensas. Além disso, o aumento do volume de água pode levar ao transbordamento dos cursos d’água, aumentando ainda mais o problema.






Mas essa não é a única explicação para o problema, que há anos vem tirando a vida de dezenas de bauruenses. Para Anna Silvia Palcheco Peixoto, mestra em geotecnia ambiental e antiga chefe do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UNESP, por mais que a forma com que a cidade foi construída seja um importante fator a ser considerado, a falta de arborização é também um dos principais problemas: “se houvesse uma maior quantidade de bueiros e espaços verdes, a água que cai durante essas tempestades teria mais formas de penetrar o solo. Dá para dizer que boa parte da culpa é da população também, já que muitos pontos de escoamento acabam entupindo com a grande quantidade de lixo que é jogada nas ruas”.
Apesar disso, a principal proposta da atual gestão para o problema das inundações é a concessão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa à iniciativa privada. Segundo o gabinete da atual prefeita, Suéllen Rosim, a proposta inclui, também, a drenagem da Avenida Naçs Unidas, um dos principais pontos de alagamento de Bauru. Críticos do Projeto de Lei apontam que o PL não detalha como seria feita a arrecadação da tarifa de esgoto, que hoje é realizada de forma autárquica pelo Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE).
Bauruenses fazem o que podem
Gabrielle Barbosa (22) trabalha há dois anos em uma lanchonete localizada na Avenida Nações Unidas, um dos pontos que mais sofre consequências pelas enchentes. Ela conta que o estabelecimento nunca sofreu nenhum tipo de prejuízo em relação à chuva, porém possuem medidas para que os danos do alagamento não afetem o local.
“A gente tem um ferro nas duas portas da frente, e quando vemos que vai chover já fechamos, ele protege para que não entre tanta água”, conta a funcionária.
Mesmo estando um ponto de risco que passa por dificuldades em tempos chuvosos, Gabrielle conta que em nenhum momento a prefeitura da cidade prestou nenhum tipo de auxílio ou propôs soluções para o problema.
Como agir diante de uma condição climática extrema?
A Defesa Civil é a instituição responsável por coordenar ações preventivas, de socorro, assistenciais e de reconstrução em situações de desastres naturais ou provocados pelo homem. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar também podem ajudar em algumas situações.





Evite locais com alto risco de alagamento
- Avenida Nações Unidas, principalmente próximo ao Obeid Plaza, ao Sincomércio, ao Teatro Municipal, ao cruzamento com a Avenida Rodrigues Alves e sob o pontilhão da ALL (linha férrea);
- Avenida Comendador José da Silva Marta, próximo à linha férrea e rua Benevuto Tiritan;
- Avenida Alfredo Maia, entre as quadras 01 e 04, principalmente próximo ao viaduto;
- Avenida Waldemar G. Ferreira, no trecho da Elias Miguel Maluf até o viaduto da ferrovia;
- Rua Sebastião, sobre o rio;
- Avenida Daniel Pacífico, sobre o rio.





