Entenda como funciona a coleta de resíduos e como o descarte incorreto impacta a cidade
André Victor e Rafaelly Ferreira
De acordo com o censo do IBGE realizado em 2022, Bauru possui cerca de 380 mil habitantes e 66.684 km² de área territorial. Ao conversar com mais de 60 moradores de regiões espalhadas pela cidade, 74,2% disseram que já sofreram com falta de água nos últimos dois anos.
Ana Beatriz de Paula, jornalista de 23 anos e estudante da Unesp, mora no bairro Vila Nova Universitária e afirma já ter sofrido com a falta de abastecimento por um período de quase um mês em 2022: “Olha, eu acho que o pior de todos foi final de outubro, começo de novembro, foi na época que estava tendo o Inter em Bauru e a gente ficou tipo assim umas quatro semanas, né, um mês sem água praticamente. Acabava a água, aí às vezes voltava por cerca de uma hora durante o dia, acabava de novo, a gente passava dias seguidos sem nenhum abastecimento. “
Quando perguntada sobre as justificativas do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) quanto ao incidente, Ana comentou: “E aí, a gente tem um grupo com várias pessoas, com vários moradores do bairro. E aí, a gente discutia sobre lá. Tipo, ah, alguém já ligou hoje? Qual foi a justificativa de hoje? Aí, se ninguém tivesse ligado, a gente ligava. Mas, assim, a gente e esse grupo de amigos ligavam todos os dias pra perguntar. E aí, era sempre o problema na bomba.”
Na sequência, a jovem complementou que o problema afetou a saúde socioeconômica da sua residência : “Afetou muito a vida sócio econômica da gente porque, sem água, tem que comprar marmita né. Não dá pra cozinhar. Então quem cozinhava para economizar tinha que começar a ter um gasto a mais que não era planejado.”

Como funciona o tratamento de água e esgoto?
Desde 1962 o serviço autônomo, Departamento de Água em Bauru (DAE), passou a ser o órgão municipal responsável pelo gerenciamento, administração e desenvolvimento de serviços públicos de tratamento de água e esgoto. De acordo com o site da empresa, atualmente o DAE possui 57 reservatórios de água e 100% da cidade é abastecida com água tratada.
O Rio Batalha, localizado a cerca de 10 km da zona urbana, abastece cerca de 40% da população bauruense. Por conta da baixa quantidade de chuvas nos últimos anos, o nível do rio vem reduzindo, o que pode vir a causar intermitência no abastecimento.
Embora toda a população bauruense receba água potável, de acordo com o Trata Brasil apenas 3,7% do esgoto é tratado corretamente. Em 2023, o município ocupou a 78ª posição, duas posições a menos comparado a 2022.
A temperatura mundial vem aumentando e a crise climática está se intensificando, como a falta ou excesso de chuvas. Isso se deve a diversos fatores, e um deles é o destino indevido de resíduos sólidos e recicláveis.
Qual o destino dos resíduos sólidos e recicláveis?
A separação correta do lixo seco e do orgânico contribui para redução da contaminação do meio ambiente. Para realizar o descarte, é necessário separá-los e colocá-los na lixeira nos dias corretos, visto que a coleta seletiva e orgânica que realizam o recolhimento podem ter diferentes cronogramas de recolhimento. Estes materiais são levados para destinos distintos, desde aterros sanitários, até locais ilegais como rios e lagos.
Como é realizada a coleta de lixo em Bauru?
A coleta de lixo em Bauru é dividida em duas etapas, sendo que a coleta orgânica ocorre 3 vezes por semana e a seletiva uma vez no mesmo período em cada bairro. O transporte dos resíduos recolhidos é feito por caminhões compactadores e caminhões com caixa metálica.
O recolhimento do lixo orgânico ocorre entre segunda, quarta e sexta ou entre terça, quinta e sábado. Além das coletas serem divididas por dias da semana, também são divididas em horários, ocorrendo das 07h às 13h ou das 18h às 23h40. No site da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMMA), se encontra um mapa dos horários e dias de recolhimento de cada bairro.
A coleta seletiva é programada para acontecer entre as segundas e sábados, das 07h às 13h e das 13h às 19h, alternando o dia de recolhimento em cada região, no entanto, a coleta atinge apenas 80% da área urbana.
Levi Momesso, Diretor de Limpeza Pública da Emdurb, conta que dois caminhões realizam a coleta de resíduos seletivos por toda a cidade. “Quando esses caminhões estão rodando, a gente pega uma média de 3 a 5 toneladas por dia desse material. Não levando em conta com o que recebemos nos ecopontos”, explica Levi.
O que são os ecopontos?
Os ecopontos são locais reservados para a entrega voluntária, por parte da população, de itens que não possuem mais utilidade. Esses ambientes foram criados para tentar minimizar o despejo de entulhos pelas ruas e em terrenos baldios.
Guilherme Melo, agente social da SEMMA, conta o destino final dos materiais após eles serem recebidos nos ecopontos. “Os resíduos recicláveis são encaminhados para cooperativas. Já os resíduos sólidos, madeiras e volumosos são enviados para o aterro sanitário de Piratininga”.
Veja os resíduos que são aceitos e quais não são aceitos:
“As lâmpadas, por exemplo, possuem lugares específicos para serem descartadas. Às vezes as pessoas vêm à noite, deixam aqui na porta do ecoponto, e aí a gente tem que trazer para dentro, porque não vamos deixar largadas do lado de fora”, relata Guilherme.
O agente social também conta que o descarte de lâmpadas não deve ser feito nos ecopontos, pois esse material precisa passar pelo processo de descontaminação antes de ser reciclado.
Atualmente estão espalhados pelo município nove ecopontos e eles funcionam de segunda a sábado, das 7h às 19h e aos domingos e feriados, das 8h às 16h.
O que fazem as cooperativas de reciclagem?
As cooperativas são responsáveis por coletar os resíduos recicláveis e darem o destino correto, tentando causar menos impactos no meio ambiente. Giselle Moreti, presidente da COOPECO, conta que trabalha com todos os recicláveis: vidro, papel, plástico, papelão, metais etc. “Conseguimos reciclar aproximadamente 90% do que nos chega – 10% são desperdiçados”.
A líder da Cooperativa Ecologicamente Correta contou qual a sua visão sobre o papel do grupo, que atualmente é formado por cerca de 30 pessoas, na sociedade: “O foco é a separação de materiais; mas o nosso papel é a preservação do meio ambiente e a inclusão social que isso pode trazer com trabalho bem feito”.
Bauru tem quatro cooperativas funcionais no momento. Além da COOPECO, ainda fazem parte da luta a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (ASCAM), a Cooperativa de Materiais Recicláveis (COOTRAMAT) e Cooperativa de Recicladores de Resíduos de Bauru (COOPERBAU). Cada uma tem suas peculiaridades e áreas de atuação, mas agem por um propósito comum.
Para que serve um aterro sanitário?
O aterro sanitário é uma infraestrutura montada para receber resíduos sólidos urbanos, em que o objetivo é tratá-los de maneira segura e ambientalmente correta. Diferente de um lixão, o aterro é pensado para operar e monitorar o despejo de acordo com as normas e regulamentações, para garantir que os impactos ambientais e na saúde pública sejam mínimos.
Nesses locais são recebidos resíduos verdes, entulhos, móveis de madeira descartados, pneus, e também opera como uma área de transbordo para lixo domiciliar (orgânico).De acordo com Sidnei Rodrigues, Gestor Ambiental/Químico e Diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais – DARA, o aterro sanitário de Bauru teve sua vida útil encerrada em 2016, onde atualmente apenas é realizado o monitoramento de segurança e a coleta de chorume. “Todo lixo de Bauru, ou seja, 300 toneladas/dia, vai para o Aterro da Empresa Estre Ambiental no município de Piratininga. Enquanto no aterro de Bauru, o monitoramento é feito em conformidade com as normas da CETESB, órgão que faz a fiscalização”.




