Cidade busca recuperar altos índices de cobertura vacinal e rede comunitária global pode ser parte da estratégia

Kevilin Alves e Luiza Mazon

A Secretaria de Saúde de Bauru iniciou, no dia 27 de Maio, a Campanha Nacional de Vacinação da Poliomielite – também chamada de Paralisia Infantil – em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF). A cidade demonstra uma preocupação referente à baixa adesão à imunização contra o poliovírus que vem sendo registrada nos últimos anos.

Desde 2016, o país apresenta uma queda nos índices de vacinação nos primeiros anos de vida das crianças e se mostra abaixo da meta de 95%, estabelecida pelo Ministério da Saúde. Apesar de Bauru ser uma das cidades do interior paulista com altas taxas de cobertura vacinal contra o poliovírus, registrando números acima de 80% a partir do ano de 2021, segundo dados do IEPS Data, o município segue com a proposta de incentivar a vacinação no intuito de promover a saúde pública.

A Comissão Regional para a Certificação da Erradicação da Poliomielite na Região das Américas (RCC) classificou o Brasil, em 2023, como um local de alto risco para a reintrodução do vírus. O último caso da Paralisia Infantil no país foi em 1984 e, cinco anos depois, a doença foi considerada erradicada.

Com o intuito de conter o perigo, a campanha visa atualizar a carteira de vacinação de crianças de até 5 anos em todo o país. Em Bauru, a ação também objetiva recuperar os altos índices de cobertura vacinal já registrados no passado.

A vacina é a única forma de prevenção da Poliomielite. A aplicação é feita com 3 doses injetáveis (VIP) aos 2, 3 e 6 meses de idade, mais duas doses orais de reforço (VOP) – conhecidas como “gotinhas”.

Os bauruenses podem comparecer às UBS e USF sem agendamento prévio e, segundo informações divulgadas pela Prefeitura, podem ter acesso ao imunizante nos seguintes locais e horários:

De segunda a sexta-feira das 7h30 às 22h

UBS Bela Vista
Rua Marçal de Arruda Campos, 4-41

UBS Geisel
Rua Anthero Donnini, s/n

UBS Chapadão/Mendonça
Rua Arlindo Pinto Ferreira, 1-15

USF Jd. Godoy
Alameda Flor do Amor, quadra 10

De segunda a sexta-feira das 7h30 às 18h30

UBS Centro
Rua Quintino Bocaiúva, 5-45

UBS Falcão
Rua Salvador Filardi, 6-8

UBS Cardia
Rua Ezequiel Ramos,11-78

UBS Nova Esperança
Rua Benedito de Abreu, s/n

UBS Redentor
Rua São Lucas, 3-30

UBS Independência
Rua Cuba – quadra 14 (em frente a Praça Carmelita Santos Souza)

UBS Octávio Rasi (provisório)
Rua José Rossini, 2-46

UBS Jussara/Celina
Rua Bernardino de Campos, quadra 23

UBS Parque Vista Alegre
Rua Jacob Corso, quadra 4

UBS Jd. Europa
Rua Hermes C. Batista, 1-64

UBS Mary Dota
Rua Pedro Prata de Oliveira ao lado da UPA

UBS Gasparini
Rua Aparecida Inês Chrispim de Matos, quadra 2

USF Santa Edwirges
Alameda Tróia, quadra 11

USF Vila Dutra
Rua Luiz Barbosa Sobrinho, 1-178

De segunda a sexta-feira das 7h30 às 16h30

UBS Beija-Flor
Rua Julieta G. de Mendonça, quadra 1

USF Nove de Julho/Fortunato Rocha Lima
Rua Ernesto Gomes da Silva, 2-136

USF Vila São Paulo
Rua Gaudêncio Piola, quadra 4

USF Nova Bauru
Rua Lucia Boni São Pedro, 2-154

USF Pousada da Esperança
Rua Antônio Jerônimo da Silva, 1-105

De segunda a sexta-feira das 7h30 às 16h

USF Distrito de Tibiriçá
Rua Carmelo Zamataro, s/n

O Papel do Rotary na erradicação da Poliomielite e suas estratégias na redução de doenças virais em Bauru

O Rotary International desempenhou um papel crucial na erradicação da poliomielite por meio de uma série de iniciativas e parcerias globais ao longo das últimas décadas. Abaixo, estão alguns dos principais modos pelos quais o Rotary contribuiu de modo significativo para essa causa:

Campanha Polio Plus

Lançado em 1985, o programa PolioPlus foi a primeira iniciativa global coordenada para a erradicação da poliomielite. O objetivo era vacinar todas as crianças do mundo contra a poliomielite e, até hoje, essa continua sendo uma das maiores campanhas de saúde pública de todos os tempos.

Financiamento

O Rotary é um dos maiores financiadores privados da erradicação da poliomielite. Desde o lançamento do PolioPlus, a organização já contribuiu com mais de US$ 2,1 bilhões para o combate à doença. Esses fundos são utilizados para vacinas, transporte, treinamento de trabalhadores de saúde e outras necessidades operacionais.

Mobilização de Voluntários

Os membros do Rotary (Rotarianos) têm sido fundamentais na mobilização de voluntários em todo o mundo. Esses voluntários ajudam a administrar vacinas, educar comunidades sobre a importância da vacinação e apoiar campanhas de imunização em áreas de difícil acesso.

Parcerias estratégicas

O Rotary foi um dos fundadores da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite (GPEI), criada em 1988. Essa parceria inclui a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e, mais recentemente, a Fundação Bill e Melinda Gates. Juntos, esses parceiros coordenam esforços e recursos para a erradicação da poliomielite.

Advocacia e sensibilização

A organização também desempenhou um papel importante na advocacia, sensibilizando governos e líderes mundiais sobre a importância de apoiar a erradicação da poliomielite. Graças aos esforços de lobby do Rotary, vários governos aumentaram seu financiamento e suporte logístico para as campanhas de vacinação.

Infraestrutura de Saúde

O apoio do Rotary ajudou a fortalecer infraestruturas de saúde pública em vários países. Isso inclui a melhoria de sistemas de vigilância para detectar novos casos de poliomielite e a criação de redes de resposta rápida para conter surtos.

Resultados

Esses esforços combinados têm levado a uma redução de mais de 99,9% nos casos de poliomielite desde 1988. A doença, que antes paralisava centenas de milhares de crianças a cada ano, está agora endêmica em apenas dois países: Afeganistão e Paquistão. 

Para reduzir o número de doenças virais em uma cidade como Bauru, com uma população de aproximadamente 400 mil habitantes, as estratégias usadas pelo Rotary na erradicação da poliomielite podem ser adaptadas e aplicadas com sucesso. 

A implementação de campanhas de vacinação em massa para imunizar a população contra doenças virais comuns, como gripe, sarampo, rubéola e hepatite, é essencial. Para isso, a utilização de clínicas móveis, postos de vacinação temporários em locais estratégicos e campanhas de conscientização são ferramentas eficazes para aumentar a adesão. 

Além disso, levar essas campanhas para as escolas garantirá que todas as crianças sejam vacinadas, além de promover programas de imunização para adolescentes e jovens adultos.

Desenvolver campanhas educativas sobre a prevenção de doenças virais é crucial. Essas campanhas devem focar em práticas de higiene, a importância da vacinação e o reconhecimento precoce de sintomas. Então, utilizar mídias sociais, rádios locais, TV, panfletos e palestras comunitárias pode ajudar a disseminar essas informações. 

Ainda, trabalhar com líderes comunitários, religiosos e influenciadores digitais para disseminar mensagens sobre prevenção e controle de doenças também pode aumentar o alcance e a eficácia dessas campanhas.

Ademais, a mobilização de voluntários é outra estratégia fundamental. Desse modo, treinar voluntários para auxiliar nas campanhas de vacinação e educação, garantindo mão de obra suficiente para alcançar toda a população, é uma medida eficaz. 

Isso pode incluir estudantes de medicina, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Incentivar a participação ativa da comunidade em campanhas de saúde pública pode criar um senso de responsabilidade coletiva, essencial para o sucesso dessas iniciativas.

A colaboração com empresas locais, ONGs e instituições de ensino pode trazer recursos adicionais, como financiamento, equipamentos e espaço para campanhas. Assim, trabalhar em conjunto com autoridades locais e estaduais de saúde é vital para garantir apoio logístico e financeiro, além de alinhamento com políticas públicas de saúde.

Investir na melhoria da infraestrutura de saúde, incluindo a capacitação de profissionais, modernização de unidades de saúde e expansão dos serviços de vigilância epidemiológica, fortalece o sistema de saúde local. Nesse sentido, estabelecer uma rede de resposta rápida para identificar e conter surtos de doenças virais garante uma reação imediata e coordenada.

Implementar sistemas robustos de vigilância epidemiológica para monitorar a incidência de doenças virais e identificar surtos rapidamente é fundamental. Avaliar de modo regular a eficácia das campanhas de vacinação e educação, ajustando estratégias conforme necessário, ajuda a melhorar os resultados.

Por fim, o uso da tecnologia pode facilitar muito esses processos. Desenvolver e utilizar aplicativos de saúde para agendar vacinas, enviar lembretes e fornecer informações sobre prevenção de doenças é uma medida moderna e eficaz. Além disso, expandir o uso da telemedicina para facilitar o acesso a cuidados de saúde e orientações sobre prevenção de doenças virais também é uma estratégia importante.

Exemplo de Implementação em Bauru

Uma cidade como Bauru pode começar com um plano piloto em bairros selecionados para testar e ajustar as estratégias antes de uma implementação em toda a cidade. Por exemplo:

  1. Iniciar com uma campanha de vacinação contra gripe e sarampo, com apoio de voluntários treinados e parcerias com escolas e empresas locais;
  2. Lançar uma campanha educativa abrangente sobre prevenção de doenças virais, utilizando mídia local e redes sociais;
  3. Fortalecer a infraestrutura de saúde local com a criação de uma rede de resposta rápida para surtos e a modernização dos sistemas de vigilância;
  4. Monitorar e avaliar continuamente as campanhas, adaptando as estratégias conforme necessário.

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