Entenda melhor a história da vacinação, políticas públicas, de onde vem o dinheiro e as campanhas atuais na cidade

Daniel Moraes, Giovana Keiko, Giovanna Novaes, Luiza Mazon e Mateus Ferreira

No Brasil, celebra-se o Dia da Imunização em 09 de junho para destacar a importância das vacinas e aumentar a conscientização sobre a prevenção de doenças infecciosas. Assim, a escolha dessa data específica está associada ao calendário de saúde pública brasileiro e visa reforçar campanhas e educação sobre o tema.

Desse modo, não há um evento histórico que influenciou a escolha do dia 09 de junho. Em vez disso, essa definição é estratégica para promover as campanhas de imunização em um período do ano que precede o inverno no hemisfério sul, época em que a incidência de algumas complicações respiratórias aumenta. Isso ajuda a lembrar a população sobre a importância de se vacinar antes do pico de certas doenças sazonais, como gripe, sarampo e dengue.

Portanto, a data serve como um marco para reforçar a importância da imunização na saúde pública, incentivando a população a manter sua carteira em dia e proteger-se contra doenças evitáveis.

De onde vêm as vacinas?

É impossível falar de vacinação no Brasil sem falar de Oswaldo Cruz. Ele que foi líder da campanha de combate sanitário contra varíola, peste bubônica e febre amarela. Oswaldo também foi responsável por torná-la obrigatória contra a varíola em 1904, o que resultaria na Revolta da Vacina na então capital do país, Rio de Janeiro. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), batizada em seu nome, surgiu em 1900 a partir do Instituto Soroterápico Federal, criado para fabricar soros e imunizantes contra a peste bubônica

Em 1904, pela agressividade e pouca aceitação, a obrigatoriedade da vacina caiu, até que em 1908, a cidade do Rio de Janeiro passou por um grave surto de varíola, e as pessoas passaram a buscar a imunização voluntariamente. Em 1971, ela seria erradicada do Brasil. Desde então, elas são aplicadas gratuitamente em todo o território nacional, com a implantação do plano nacional de vacinação (PNI).

Alguns direitos podem ser restringidos caso o cidadão  não tenha  a carteira de vacinação em dia, como por exemplo: fazer viagens internacionais, ser beneficiado pelo bolsa família, prestar concursos, realizar alistamento militar e, em alguns estados, as escolas cobram a carteira no momento da matrícula. 

Centros de pesquisa

No Brasil, há dois fortes centros de pesquisa, um deles é a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o outro o Instituto Butantan. A Fiocruz se tornou referência na produção de vacinas e na pesquisa em saúde pública. Lá são produzidos imunizantes como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), febre amarela e contra a Covid-19 (em parceria com a AstraZeneca).

Já o Instituto Butantan, fundado em 1901 na cidade de São Paulo, tem um papel de destaque na produção de vacinas e soros do Brasil. Além disso, é referência por seus estudos sobre venenos de animais peçonhentos. Atualmente, o Instituto produz imunizantes como o da gripe (influenza), difteria, tétano, coqueluche (DTP), Hepatite B, raiva e, mais recentemente, a CoronaVac (em parceria com a Sinovac).

Estas instituições estabeleceram parcerias com empresas internacionais para a produção de vacinas. Essas parcerias muitas vezes envolvem compartilhamento  de tecnologia, o que permite que os imunizantes sejam produzidos no Brasil, após um período os insumos são importados.

A colaboração entre Fiocruz e AstraZeneca é um exemplo de transferência de tecnologia, já que a produção do imunizante contra a Covid-19 começou com a importação dos insumos e, posteriormente, passou a ser completamente produzida no Brasil.

De onde vem o dinheiro?

Vacinação é um serviço essencial público que afeta diferentes idades da população – (Foto: Ilustrativa/Pixabay)

Esse serviço é essencial à saúde pública, garantido pela Constituição, a nível nacional. Mas não vem de graça – não diretamente, pelo menos. Para que a política seja efetivada, os governos precisam investir recursos para garantir que sua população esteja protegida. Desde a pandemia da Covid-19, o debate em torno da importância da vacinação da população cresceu. Mas de onde vem o dinheiro para financiar a vacinação na cidade?

A principal fonte de recursos para a vacinação em Bauru, por exemplo, está nos repasses do Ministério da Saúde. O governo federal define anualmente um orçamento para a imunização em todo o país, e cada município recebe um valor proporcional ao seu número de habitantes.

Segundo o IBGE, no Censo de 2022, a cidade de Bauru possuía um total de 379.146 habitantes. De acordo com dados do quadrimestre de 2022, a Secretaria de Saúde teve um investimento de aproximadamente R$190 milhões. De janeiro a agosto foram R$141 milhões apenas de recursos próprios do município. 

Esse dinheiro é usado para comprar vacinas, seringas, agulhas e outros materiais necessários às campanhas.

Além dos repasses federais, a Prefeitura também pode investir recursos próprios na imunização. Os valores aportados pelas cidades, no entanto, vêm de arrecadações das próprias administrações municipais. Isto é: impostos e taxas municipais, multas e outras fontes de receita.

Em 2023, segundo o portal de transparência do Estado de São Paulo, foram destinados R$5 milhões a Bauru para o combate à Covid-19.

Em fevereiro de 2024, o governo do estado de São Paulo realizou um investimento de R$327 milhões para a região de Bauru na área da saúde. Com isso, argumenta o Palácio dos Bandeirantes, espera-se que seja reduzido o tempo de espera nas filas dos atendimentos.

Transparência e controle social

É importante ressaltar que todos os recursos utilizados na vacinação são públicos e devem ser utilizados de forma transparente e responsável. A Prefeitura de Bauru presta contas anualmente à Câmara Municipal dos Vereadores e à população sobre o uso dos recursos destinados à imunização.

De maneira resumida, a imunização é o processo pelo qual uma pessoa se torna resistente a uma doença infecciosa. Na maioria das vezes, ocorre por meio da administração de imunoglobulina, soro de anticorpos ou, principalmente, vacinas. Graças a elas, doenças que no passado causaram milhares de vítimas foram erradicadas. De acordo com a Organização Pan-Americana de saúde (OPAS), patologias como varíola, poliomielite e sarampo deixaram de ser problema de saúde pública porque foram eliminadas no Brasil e nas Américas.

Entretanto, a aderência à vacinação vem decaindo nos últimos anos. Segundo o Instituto Butantan, em 2023, mais de 60% dos municípios brasileiros não atingiram a meta de 95% de cobertura para o calendário infantil, recomendada pelo Ministério da Saúde. A pandemia da Covid-19 pode ser citada como um dos maiores motivos para esse índice. Durante quase dois anos, o então presidente, Jair Bolsonaro, se posicionou inúmeras vezes contra as vacinas.

Em dezembro de 2020, durante visita à Ceagesp de São Paulo, Bolsonaro declarou que um dos problemas da imunização era que a vacina precisava ser aplicada novamente após algum tempo. Ele também defendeu que aqueles que se recusaram a tomá-la deveriam ter a escolha respeitada. “Como sempre, eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto final”, declarou o então Chefe do Executivo.

A disseminação desenfreada de desinformação, somada a discursos negacionistas da época, alimentaram uma atmosfera de ceticismo em relação à imunização, influenciando muitos a adiarem ou desistirem da mesma. Em contrapartida, as campanhas de vacinação, tanto federais quanto locais, não têm se atualizado o suficiente e, por consequência, não atingem os resultados esperados.

Além de campanhas, é preciso que informações de fácil compreensão e com credibilidade estejam circulando em diversos formatos, de forma permanente, a fim de alcançar diferentes realidades. De acordo com Karina Velano Scherer, enfermeira-chefe da UBS do bairro Jardim Godoy, em Bauru, a comunicação precisa ser quase onipresente: “Precisamos de um planejamento massivo de comunicação com a população. E não é só ir às redes sociais e dizer que vacinas salvam vidas. Tem que ser dentro dos ônibus, nos postos de saúde, nas escolas, em todo lugar. A população precisa ser lembrada constantemente do risco de não vacinar”.

Para Karina, as propagandas,além de conterem informações práticas, como datas e locais de aplicação, também precisam fazer a população realmente entender o que está tomando. “A questão é que não basta apenas informar as pessoas de que existe vacina nos postos ou sobre o dia ‘D’ da campanha de imunizaçăo: a estratégia precisa levar em conta as razőes que fazem a populaçăo a não tomar vacina, ou deixar de vacinar os próprios filhos. É errado acreditar que, no contexto atual, problemas como a dificuldade de acesso, o medo do desconhecido que as vacinas novas costumam provocar, pudessem ser facilmente superados com vídeos, cartazes, posts e outras peças de comunicação bem feitas”.

O governo federal emprega estratégias específicas para alcançar a atenção da população no que diz respeito à importância da imunização. Um exemplo é o uso do personagem Zé Gotinha nas campanhas de vacinação infantil, que, além de conquistar com facilidade a confiança das crianças na hora de vacinar, também atua nas campanhas de prevenção de doenças e foi peça central na implementação de uma rotina de imunização no país.

Todavia, ainda é necessário ampliar o alcance das campanhas. “Houve dias em que o posto ficou aberto durante o domingo todo, e só duas pessoas vieram se vacinar. Sem comunicação, se mantém uma estrutura toda aberta, e as pessoas não vão da mesma forma, porque nem sabiam que o posto estava aberto. Não adianta pôr uma faixa aqui na frente do posto. A comunicação precisa melhorar muito”, relata Karina.

O alcance da população pode ser pelas das redes sociais, uso de artistas ou outras figuras influentes nas campanhas e parcerias com líderes comunitários. “Temos que pensar nas características de cada um. Uma estratégia só para o Brasil inteiro não funciona. Tem lugares em que se chega com influencers, e tem lugares em que vai ter que usar carro de som, por exemplo”, diz a enfermeira.

Em maio, a prefeitura de Bauru realiza a “Estratégia de Vacinação nas Escolas”, por meio de parceria entre as Secretarias de Saúde e Educação. O programa ocorre durante todo o mês, nas escolas estaduais e municipais. Com foco nos estudantes do ensino infantil, fundamental e médio, o objetivo é reduzir o risco de adoecimento por doenças imunopreveníveis, além de checagem das cadernetas e vacinação de alunos com atraso vacinal. Também são feitas atividades educativas sobre imunização e visitação de profissionais da saúde ao longo do ano letivo.

O Calendário Nacional de Vacinação do Brasil contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas. No total, são disponibilizadas na rotina de imunização 19 vacinas cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida.

A partir da comunicação pública, informações confiáveis e acessíveis são disseminadas. Desde a conscientização sobre a importância das vacinas até a dissolução de mitos e desinformação, a comunicação eficaz pode incentivar a adesão às campanhas de vacinação. Além disso, ela deve buscar a adaptação de suas mensagens para atender às necessidades específicas de diferentes grupos e ajudar na superação de barreiras culturais, sociais e linguísticas. 

Vacinação em Bauru

No momento, duas campanhas estão em ação na cidade, a da Dengue e da Influenza. A primeira é direcionada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade, com esquema vacinal de duas doses, com intervalo de três meses entre a primeira e a segunda dose, de acordo com a prefeitura. 

O público-alvo deve procurar uma unidade de saúde, portando documento pessoal ou carteira de vacinação, além de estarem acompanhados por um responsável. A Divisão de Vigilância Epidemiológica ressalta que após a infecção pelo vírus da dengue, é recomendável aguardar seis meses para o início do esquema vacinal. Se a infecção ocorrer após a primeira dose, não há alteração no intervalo entre as duas doses desde que a segunda não seja realizada em um período inferior a 30 dias do início da doença. A vacina da dengue não poderá ser aplicada simultaneamente com outras vacinas do calendário de vacinação. Em caso de dúvidas, procure uma unidade de saúde.

A campanha de vacinação contra Influenza para público geral vai até o dia 31/05, nos seguintes postos de saúde:

HorárioNomeEndereço
7h30 às 22hUBS Bela VistaRua Marçal de Arruda Campos, 4-41
7h30 às 22hUBS GeiselRua Anthero Donnini, s/n
7h30 às 22hUBS Chapadão/MendonçaRua Arlindo Pinto Ferreira, 1-15
7h30 às 22hUSF Jd. GodoyAlameda Flor do Amor, quadra 10
7h30 às 18h30UBS CentroRua Quintino Bocaiúva, 5-45
7h30 às 18h30UBS FalcãoRua Salvador Filardi, 6-8
7h30 às 18h30UBS CardiaRua Ezequiel Ramos,11-78
7h30 às 18h30UBS Nova EsperançaRua Benedito de Abreu, s/n
7h30 às 18h30UBS RedentorRua São Lucas, 3-30
7h30 às 18h30UBS IndependênciaRua Cuba – quadra 14 (em frente a Praça Carmelita Santos Souza)
7h30 às 18h30UBS Octávio RasiRua José Rossini, 2-46
7h30 às 18h30UBS Jussara/CelinaRua Bernardino de Campos, quadra 23
7h30 às 18h30UBS Parque Vista AlegreRua Jacob Corso, quadra 4
7h30 às 18h30UBS Jd. EuropaRua Hermes C. Batista, 1-64
7h30 às 18h30UBS Mary DotaRua Pedro Prata de Oliveira ao lado da UPA
7h30 às 18h30UBS GaspariniRua Aparecida Inês Chrispim de Matos, quadra 2
7h30 às 18h30USF Santa EdwirgesAlameda Tróia, quadra 11
7h30 às 18h30USF Vila DutraRua Luiz Barbosa Sobrinho, 1-178
7h30 às 16h30UBS Beija-FlorRua Julieta G. de Mendonça, quadra 1
7h30 às 16h30USF Nove de Julho/Fortunato Rocha LimaRua Ernesto Gomes da Silva, 2-136
7h30 às 16h30USF Vila São PauloRua Gaudêncio Piola, quadra 4
7h30 às 16h30USF Nova BauruRua Lucia Boni São Pedro, 2-154
7h30 às 16h30USF Pousada da EsperançaRua Antônio Jerônimo da Silva, 1-105
8h às 16hUSF Distrito de TibiriçáRua Carmelo Zamataro, s/n 
8h às 16hPromaiRua Júlio Maringoni, 9-43 – Jardim Estoril
8h às 16hCRMIRua Silvério São João, quadra 1 – Centro

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