O filme reconhecido pela mídia internacional evidencia os avanços no setor audiovisual brasileiro – mas com ressalvas

Isabela Giro, Jhennyfer Lima, Lara Fagundes e Letícia Rosa

(Foto: Ainda Estou Aqui/Divulgação)

Você pode escutar esta reportagem em áudio pelo link.

O filme Ainda Estou Aqui entrou para a história do cinema nacional ao acumular mais de R$200 milhões de bilheteria global e receber 3 indicações ao Oscar, seguidas de uma vitória inédita na categoria de “Melhor filme estrangeiro”. Contudo, qual o impacto desse destaque midiático no cenário da indústria cinematográfica brasileira?

O longa, que desde o início chamou atenção pelo elenco composto por Fernanda Torres e Selton Mello, alcançou uma alta na procura após uma série de indicações em premiações internacionais, como o Globo de Ouro e o Oscar. Isso foi suficiente para levar mais de 5 milhões de brasileiros aos cinemas e consagrar a obra entre as maiores bilheterias do país. Após ficar em cartaz por 21 semanas, tornou-se o filme mais assistido no dia de sua estreia na plataforma Globoplay, com recorde de maior consumo diário.

(Imagem por: Lara Fagundes)

Segundo Luiza Baccelli, assistente de direção na produção de Ainda Estou Aqui, o reconhecimento internacional coloca o Brasil em pauta, pois “evoca o debate sobre a importância do fomento e da diversidade de narrativas brasileiras e ajuda a combater o nosso próprio preconceito com os nossos filmes”.

Mas, para que as mudanças se consolidem, é necessário que as discussões se transformem em políticas públicas práticas.

“Historicamente, os investimentos no audiovisual brasileiro vêm de políticas públicas estruturadas, como editais e mecanismos de fomento vinculados às leis de incentivo. Hoje, esses investimentos se tornaram mais instáveis”, diz.

A instabilidade do país neste setor teve seu ápice durante o governo Bolsonaro, que reteve, por mais de três anos, a liberação de verbas do Fundo Setorial do Audiovisual, um dos principais investimentos do cinema nacional. Sem a distribuição adequada dos recursos destinados à produção cinematográfica, a crise na indústria, que já estava em baixa pelo esvaziamento causado pela pandemia, só se agravou.

Além disso, Bolsonaro (PL) aprovou o corte de 43% do orçamento previsto para o audiovisual do país. Em 2020, a dotação nominal para o fundo foi a menor desde 2012, com apenas R$112,36 milhões. Neste período, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) teve sua extinção estudada pelo presidente, que, para influenciar no financiamento dos projetos, transferiu a sede para Brasília.

No atual governo Lula, o Ministério da Cultura foi reintegrado aos demais, após 4 anos de paralisação. Em junho de 2024, o presidente anunciou cerca de 1,6 bilhão para o fortalecimento do cinema nacional, além de novas leis de incentivo. Porém, segundo Luiza, ainda é um setor que sobrevive, principalmente, pela persistência dos profissionais que trabalham na área.

O piso salarial de cargos como produtor executivo e diretor de um longa, por exemplo, fica em torno de R$915 e R$1.032 mil por diária, dependendo da experiência e da localidade. Já a média de um assistente de câmera ou som está por volta de apenas R$400 a R$490 por diária.

Por isso, em uma indústria com difícil entrada e permanência no mercado de trabalho, o público é essencial para manter projetos em andamento.

“Acho que ainda temos muito para avançar em termos de políticas de exibição e formação de público”, afirma Luiza. “Além de termos uma distribuição restrita e pouco marketing, temos uma falsa percepção de que o cinema estrangeiro vale mais do que a nossa produção nacional”, conclui.

O número de espectadores de filmes nacionais é muito abaixo em comparação aos filmes estrangeiros. Segundo a Ancine, em 2023, os longas brasileiros levaram 3.7 milhões de pessoas aos cinemas, o que representa apenas 3,2% do público total.

Luiza ressalta também como a falta de incentivo ao desenvolvimento do olhar crítico e afetivo por produtos nacionais desde a idade escolar é um dos motivos para que não haja uma conexão do brasileiro com o cinema nacional.

“O público responde bem quando se sente representado, mas para ele ter acesso aos filmes precisamos romper barreiras de distribuição, e principalmente de preconceito”, diz Luiza.

A assistente de direção pontua que a valorização das produções nacionais precisa passar pela educação, pela política e pela comunicação. Ela cita a inclusão do assunto no currículo escolar, fomentação de cineclubes, descentralização de recursos e garantia de cotas reais de exibição como formas de inserir o audiovisual na rotina da sociedade.

O cinema implementado na educação é uma questão já debatida no país com o objetivo de estimular a criatividade e ampliar o repertório cultural. Desde 2014, a Lei do Cinema na Escola busca garantir o encontro entre filmes brasileiros e estudantes de escolas públicas, ao tornar a exibição de produções nacionais parte do currículo complementar.

Ainda que a trajetória de Ainda Estou Aqui demonstre o impacto do cinema nacional e sua relevância como expressão cultural e econômica, o fortalecimento do público brasileiro é essencial para o crescimento do consumo local.

“Para que o Brasil possa se tornar uma potência criativa global, respeitada por sua pluralidade cultural e pela força das suas narrativas, vamos precisar de visão estratégica e de um compromisso coletivo”, conclui Luiza.

Cultura de consumo

No Brasil, das 10 maiores bilheterias entre 2014 e 2023, apenas 3 são de origem nacional. Os longas restantes são blockbusters estadunidenses que, em sua maioria, fazem parte de franquias de super-heróis. Já entre os filmes nacionais mais assistidos, há uma predominância de filmes de tom religioso ou cômico, incluindo sequências.

Marcos “Tuca” Americo, mestre em comunicação midiática e doutor em educação para a ciência, afirma que esse fenômeno ocorre em função do fácil compreendimento das histórias para o público geral.

“Você acaba tendo essa importância dada a esse tipo de filme – os filmes super-heróis, os blockbusters – que, por exemplo, para discutir o racismo eu tenho que pôr no Pantera Negra para poder fazer isso. Para discutir questões psicológicas, eu tenho que colocar um Coringa, porque acompanha o amadurecimento de um público que só consegue entender e discutir o mundo por esse ponto de vista”, explica.

Tuca enxerga esse fato como uma questão cultural, já que é costume brasileiro priorizar assistir filmes internacionais, devido à construção da imagem da produção brasileira como de baixa qualidade em comparação às outras.

“Agora, o que acho importante é você criar um público acostumado a assistir produção audiovisual brasileira, e não só os filmes que são exibidos na sala de cinema. Acho que a questão importante é a formação de um público que consuma essa produção audiovisual. A gente vê, às vezes, que o pessoal consome muito mais produção audiovisual de baixa qualidade importada do que de alta qualidade brasileira”, comentou Américo.

(Tabela por: Isabela Giro)

O professor também cita a ausência de promoção de marketing eficiente dos produtos audiovisuais brasileiros, quando em comparação aos internacionais.

“Toda vez que um filme brasileiro passa no canal aberto de uma Globo, ele tem audiência. Por que essa audiência não é a mesma nas salas de exibição? Porque existem ações de marketing, interesses, pacotes de exibição. A ação de marketing de Hollywood é muito forte”, afirma.

Isso se vê nas divulgações de filmes como Barbie, que, entre suas ações de marketing, chamou atenção pelas roupas de tapete vermelho da atriz Margot Robbie, ao reproduzir looks icônicos da boneca. Além disso, a produção do filme realizou parcerias com marcas como StarBucks e promoveu a aparição de outdoors cor de rosa ao redor do mundo.

Para Americo, outro aspecto que restringe o público de consumir cinema nacional é o preço do ingresso, não somente pelo seu valor na íntegra. Hoje, ir a grandes exibições está relacionada a uma cadeia de consumo, em função da localização da maioria das salas de cinema em shoppings.

Custos do trajeto, do estacionamento, da alimentação realizada para estar nesse local tornam-se de alto valor, principalmente, quando se trata de uma família, visto que o shopping também é um meio de entretenimento familiar.

“Você ir a um cinema não é uma coisa barata. Você pode até falar que o ingresso é barato, mas a pessoa quer comer uma pipoca, tomar um refrigerante, que é o que tem no pacote do cinema. E isso hoje é muito caro”, diz.

Área comercial do Cine n’ Fun, Bauru (Foto: Lara Fagundes)

Por ser um ambiente fechado, com vigilância e ar-condicionado, o shopping também se torna um centro atrativo de outras atividades culturais, o que além de fortalecer a ideia de cultura paralela ao consumo econômico, prejudica a existência da cultura em espaços mais acessíveis.

“A gente vê, por exemplo, que em muitas cidades você já não tem aquela frequência das atividades culturais na rua, em outros espaços culturais”, conclui.

Lei de Cota de Tela

A lei de Cota de Tela surgiu em 2001 como um estímulo para a produção e o consumo de produtos audiovisuais nacionais. Porém, por se tratar de uma medida provisória com força de lei, sua validade inicial era de 20 anos, que – ao ser completada – não foi prorrogada. Em 2023, a medida voltou a ser discutida pelo Senador Humberto Costa (PT-PE) com base no projeto de lei estabelecido pelo Deputado Federal Marcelo Calero (PSD-RJ) em 2019 (fonte: agência senado).

O projeto foi sancionado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 15 de janeiro de 2024 e decretado pelo Congresso Nacional juntamente com a política de cotas de tela na TV paga. Todavia, só entrou em vigor a partir de 2025.

(Imagem por: Jhennyfer Lima)

Americo comenta a eficiência da Lei de Cota de Tela como um impacto pequeno no cenário atual de consumo de obras cinematográficas. “As salas de exibição – os conglomerados, os exibidores – eles que definem os horários que vão passar. Então, qualquer filme brasileiro que passe nas salas de cinema, passa em horários que não são os horários de maior público”, aponta.

Por mais que a medida provisória venha como um esforço governamental para motivar brasileiros a diversificarem seu interesse pelo cinema, ainda há preferência do público pelas obras estrangeiras. Em uma pesquisa realizada pela equipe da Agência Trilhos com 173 pessoas, somente 30,1% afirmaram que o último filme que assistiram no cinema era nacional.

(Gráfico por: Jhennyfer Lima)

Para ser incluído na Lei de Cota é necessário que o filme tenha um Certificado de Produto Brasileiro (CPB). Esse documento, fornecido pela Ancine, é um registro gratuito obrigatório para todas as obras que desejam conseguir o Certificado de Registro de Título, realizar sua divulgação e exibição em órgãos ligados à agência ou se tornarem produtos de exportação.

CPB de Ainda Estou Aqui (Fonte: Ancine)

A lei determina uma porcentagem obrigatória de exibição, que varia de acordo com a quantidade de salas que o grupo exibidor – como Cinépolis, Cine Araújo ou Cinemark – apresenta.

Por exemplo: se um grupo exibidor possui dois complexos e cada um tem duas salas de exibição, pelo decreto, 8,5% de suas sessões anuais devem ser exclusivamente de filmes nacionais. Portanto, se ao final do ano a empresa tiver realizado 4380 sessões, 372 delas deverão ter sido reservadas para obras brasileiras. Caso cada sala faça a exibição de 3 sessões nacionais por dia, em 31 dias a cota seria cumprida.

Porém, não é possível exibir apenas um filme para cumprir a cota, além disso existe a quantidade de títulos diferentes que devem ser exibidos pelo complexo durante o ano. No caso de um complexo com duas salas devem ser exibidos 4 títulos diferentes. Há também para complexos com mais de 3 salas a determinação de que 50% de suas sessões diárias sejam reservadas para filmes nacionais do mesmo título.

(Tabela por: Jhennyfer Lima / Dados por: Static)

A fiscalização é realizada pela Ancine com base no Sistema de Controle de Bilheteria. Caso seja considerado um erro técnico, o não cumprimento dessas normas pode acarretar a advertência. Porém, se constatado como proposital, será aplicada uma multa de 5% da renda bruta média diária do complexo, multiplicada pela quantidade de sessões remanescentes.

Devido ao sucesso comercial de Ainda Estou Aqui, o longa ficou em cartaz por vários meses em todo o país. Por esse motivo, algumas distribuidoras podem já ter cumprido sua cota anual, consequentemente, elas só necessitam exibir outros títulos nacionais por um tempo reduzido.

Conheça mais sobre a Lei de Telas em nosso instagram!

Outras leis de incentivo

A lei de Cota de Telas não é a única lei de incentivo de consumo nacional. Junto dela foi sancionada a prorrogação da política de cotas na TV paga que obriga emissoras, nacionais ou internacionais, a veicularem produtos nacionais em sua programação.

(Imagem por: Jhennyfer Lima)

Interiorização do cinema

Longe dos grandes centros, acessar as produções cinematográficas pode ser um desafio. Para alguns habitantes de cidades pequenas, assistir a um filme nas telonas é um evento raro, em vista da ausência de uma estrutura própria de exibição local. Nesse caso, não é uma questão apenas de desinteresse pelo audiovisual: a necessidade de deslocamento e os custos de transporte tornam a ida ao cinema um privilégio distante.

Essa é a realidade do grupo de municípios mais populosos sem salas de exibição listadas no Anuário Estatístico de 2023 divulgado pela Ancine. Entre elas estão cidades como Trindade (GO), Parnamirim (RN), e Belford Roxo (RJ), que, apesar de contarem com mais de 100 mil habitantes, não possuem cinemas.

(Tabela por: Letícia Rosa)

Luan Brizola, morador de Americana (SP), outro município citado na lista, conta que o cinema mais próximo não fica muito longe da sua casa. Entretanto, encontra-se na cidade vizinha Santa Bárbara d’Oeste e a variedade de filmes exibidos por lá muitas vezes é limitada.

“É necessário se deslocar para cidades muito maiores, como Campinas ou Piracicaba, tornando, assim, inviável de ir”, afirma Luan.

Confira também outros relatos de moradores de cidades sem cinema.

@agenciatrilhos

A dificuldade de acesso a produtos audiovisuais por falta de estrutura de espaços expositores ainda é uma realidade de milhões de brasileiros. 📽️ Por isso, conversamos com a estudante Isabela Paulino para entender como foi crescer em uma cidade que – por muitos anos – não teve um cinema. 🎬 #cinema #aindaestouaqui #filmenacional #filmes #filme #interior #cidadepequena

♬ som original – Agência Trilhos

Segundo dados divulgados pela Ancine no anuário estatístico de 2023, a região sudeste concentrava 1.815 salas de exibição ativas, representando cerca de 52% das salas de todo o país. Já o Painel de Complexos e Salas de Exibição da agência revela que só na capital paulista hoje existem 396 salas que servem os 11,45 milhões de moradores.

Em contrapartida, a região Norte do país é a que possui o menor número de salas de exibição: apenas 222 espaços para que 15 milhões de habitantes assistam filmes. No estado do Acre inteiro, são apenas 7 salas ativas. A quantidade limitada de cinemas nesses locais mostra como as áreas fora do eixo sul-sudeste, historicamente desamparadas pela ação governamental, são prejudicadas pela lacuna na distribuição da infraestrutura cultural no país.

A realidade dessas áreas tem mudado a partir de projetos como o “Cinema Perto de Você”, uma ação realizada pelo Governo Federal que tem o objetivo de incentivar a modernização e difusão do parque exibidor brasileiro. Isso ocorre a partir do destino de 350 milhões para a construção de salas em municípios que ainda não possuem o serviço. Esse projeto é parte do programa “Brasil de Todas as Telas”, um incentivo para o desenvolvimento do país como polo da indústria audiovisual.

As pessoas assistem a filmes nacionais?

Pandemia/Streaming

É inegável o impacto da pandemia da covid-19 no setor audiovisual: produções foram paralisadas, empregos foram perdidos e salas de cinema foram fechadas. Entretanto, na contramão desse processo, a demanda de consumo do produto audiovisual apenas aumentou. Esse fato acelerou o curso de uma tendência mercadológica que tem ocorrido na última década: a migração do consumo para os streamings.

Em um cenário em que o lazer só podia ser aproveitado no ambiente doméstico, o entretenimento por meio de filmes e séries se tornou uma forma recorrente de distração da realidade pandêmica. Assim, plataformas de streaming conseguiram suprir as necessidades dos indivíduos em isolamento social, devido à facilidade de acesso via internet, preço inferior à televisão a cabo e autonomia na hora de escolher os itens do catálogo.

Por isso, nesse período, as principais plataformas assistiram seus números de assinantes crescerem de maneira considerável. De acordo com o relatório da MPA, (Motion Pictures Association) 232 milhões de novas contas foram criadas em 2020, chegando à marca global de mais de 1,1 bilhão de assinaturas. A Netflix sozinha – plataforma mais popular de streaming mundial – atingiu 200 milhões de assinantes nesse período e, atualmente, já passa dos 300 milhões. O Brasil é seu terceiro maior mercado de consumo, com quase 18 milhões de assinaturas, atrás apenas do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Contudo, ainda que o acesso ao produto audiovisual tenha sido ampliado por essa modalidade, tanto as plataformas quanto seus catálogos não refletem a realidade brasileira, em vista do conteúdo majoritariamente de origem estrangeira. Uma análise realizada pela Ancine em 2023 constatou que, entre as principais plataformas de streaming, os produtos nacionais representam apenas 14% de todo o material disponibilizado nelas.

Diante desse panorama, o Ministério da Cultura tem investido na criação de uma plataforma pública gratuita de streaming com obras exclusivamente brasileiras. Só no ano passado, foram investidos 3,8 milhões no licenciamento de obras nacionais para compor o catálogo da plataforma, que deve ser lançada ainda em 2025.

Também circula, no Brasil, uma discussão acerca da regulamentação dos serviços de streaming, com a finalidade de garantir a presença de obras nacionais nas plataformas. Em 16 de abril deste ano, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou um projeto de lei para a obrigação de cota de produtos nacionais nos serviços digitais, e, em breve, o texto deve ser levado para discussão na Câmara dos Deputados.

Em países da União Europeia, por exemplo, esse debate não é novidade: em 2018, os países do bloco decidiram que 30% do conteúdo das plataformas deveria ser obrigatoriamente de origem nacional. Apesar da concretização da medida ter sido atrasada pela pandemia em 2020, hoje, França e Espanha destacam-se nesse cenário, apresentando, respectivamente, cotas nacionais de 25% e 30% nos principais streamings.

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Outras formas de acesso

Cinemateca Bauru

O projeto consiste em um acervo digital gratuito de obras audiovisuais – como filmes, séries, documentários, curtas e animações – exclusivamente produzidas em Bauru. Idealizado pelo Coletivo de Produtores Audiovisuais de Bauru (ProAV) como uma forma de conectar a população bauruense às produções locais, a Cinemateca pôde ser concretizada por meio de um edital do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

Landing Page da Cinemateca Bauruense

A plataforma entrou no ar em junho de 2020, com um catálogo previamente estruturado, porém, é periodicamente atualizada a partir da contribuição de produtores locais que enviam seus trabalhos que – passando por uma avaliação dos gestores da plataforma – são adicionados ao acervo.

Apesar de ter sido possibilitada por um edital de fomento à cultura, após a finalização e lançamento do projeto, não houve uma verba direcionada para a manutenção da plataforma. Assim, em função do baixo monitoramento do site e da crença de seus colaboradores na importância da Cinemateca, eles escolheram contribuir sem uma remuneração para tal.

“A gente acredita na necessidade da existência dessa plataforma e como ela é importante para a construção dessa memória audiovisual”, afirma Rene Lopez, coordenador geral do projeto.

Para o professor e produtor audiovisual, a Cinemateca é um exemplo de como a colaboração com o poder público pode ser responsável pela ampliação do alcance do setor criativo, principalmente fora das grandes capitais. Assim, celebra-se também as características culturais diversas, como a linguagem própria de cada lugar.

“A existência da Cinemateca também é uma manifestação política nossa de dizer ‘olha, o interior de São Paulo produz audiovisual“, afirma Rene.

Sesc

Presente em diversos estados do Brasil, o Sesc é uma instituição privada sem fins lucrativos que busca oferecer qualidade de vida à comunidade local, por meio de atuações educacionais e culturais variadas em suas instalações.

Por isso, comumente o Sesc disponibiliza em seus espaços mostras de cinema ou sessões de exibição gratuitas e abertas à população geral. As programações variam de acordo com as unidades locais e podem ser conferidas no site da instituição.

Além disso, a organização possui uma plataforma digital que disponibiliza gratuitamente mais de 20 mil itens entre álbuns, aulas, palestras, exposições, teatros e filmes. Pode ser acessado tanto pelo site quanto pela versão do aplicativo.

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Festivais

Como uma forma de democratizar o acesso a produções nacionais e dar visibilidade a produtores locais, ao longo do ano, Bauru se torna palco de variados festivais, como, por exemplo, o Cria Bauru.

A 4ª edição do Festival Cria foi realizada esse ano, entre abril e maio, pensada no tema “Sem o Cerrado, Nada se Cria”. Viabilizado por recursos provenientes da Lei Paulo Gustavo, o festival leva exposições, culinária e torneios esportivos a pontos da cidade. Entre as programações do evento, estão presentes mostras de cinema, principalmente para o público infantil, sempre voltadas ao tema anual.

“A gente tá muito feliz com os resultados”, diz o fundador do festival, Josué Kenji Kochi.

Segundo ele, o festival alcançou um público diverso, que varia desde idades a origens. Pessoas de cidades próximas a Bauru, como Agudos e Piratininga, também vieram prestigiar o evento.

O município também já recebeu eventos como “Filma Bauru” e “Mostra de Curtas – Bauru”, ambos pensados para celebrar produções audiovisuais locais e reconhecê-las com premiações

Veja nossa cobertura da mostra de cinema do Festival Cria no Cine n’ Fun, que aconteceu na última sexta de abril (25/04)!

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