Organizado pelo curso de Rádio, TV e Internet, evento buscou fortalecer vínculos entre a universidade e os segmentos da cultura e produção audiovisual
Lara Fagundes

Entre 2 e 6 de junho de 2025, a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Unesp Bauru sediou a 18ª edição da “Semana da Cultura Audiovisual”, encontro gratuito voltado a estudantes e a comunidade acadêmica de comunicação. Com programação híbrida – presencial e por transmissão ao vivo —, o encontro trouxe mesas de debate, exibição de documentários, oficinas práticas e discussões sobre políticas públicas e movimentos sociais no audiovisual.
Gustavo Soranz, professor responsável pela organização, conta que a Semana de RTVI é um evento tradicional do curso, com o objetivo de oferecer experiências acadêmicas relevantes, além de oportunidades para desenvolver habilidades técnicas e artísticas para a prática profissional do audiovisual.
“Nossos objetivos foram reunir pesquisadores, professores e profissionais da área para oferecer aos estudantes do curso a oportunidade de conhecerem temas e tópicos atuais de sua área de formação e trocar experiências e informações com os convidados”, pontua Soranz.
Este ano, a programação da Semana teve seu tema central no audiovisual do interior paulista. A partir disso, a organização fez levantamentos de linhas de abordagem e possíveis convidados para as mesas e oficinas. Para garantir que o tema fosse bem explorado, as discussões foram divididas entre os eixos: preservação, formação e produção do audiovisual.

Além disso, a organização se empenhou para incluir convidados de diferentes cidades, a fim de abranger visões e a diversidade de microrregiões, cada uma com suas particularidades, mas que compartilham desafios semelhantes no interior brasileiro. “Tivemos convidados de Cândido Mota, Bauru, Campinas, São José do Rio Preto, Rio Claro, São Carlos e São Paulo”, conta Soranz.
Eventos como este proporcionam ao ambiente universitário encontros que potencializam trocas criativas e possibilidades de colaboração. Além disso, o professor explica que a Semana busca ser “uma janela de exibição de filmes realizados nesse contexto, contribuindo para a formação técnica, mas também para a formação de público deste tipo de produção”. Assim, traz não apenas o incentivo da produção, mas também a valorização do audiovisual.
Soranz esclarece que a organização principal esteve sob responsabilidade, principalmente, dos alunos do 3° ano de RTVI, mas contou com a colaboração de outros períodos. Bianca Almeida, caloura do curso, participou de sua primeira edição este ano, com a oportunidade de também fazer parte da equipe de organização.
Além do incentivo e aprendizado que a Semana oferece em suas atividades, participar da organização também permite que o estudante entenda o tamanho do evento e possa entrar em contato, de forma mais próxima, com pessoas que trabalham na área da cultura audiovisual.
“Saber mais sobre a organização me surpreendeu, pois a semana exige uma grande força-tarefa. Entre conseguir pessoas para participar das mesas e das palestras, construir a identidade visual e cuidar da logística na hora do evento, é preciso que muitas pessoas façam parte para que tudo ocorra bem”, relatou Bianca.

A estudante contou que, em uma das oficinas que mais gostou, teve a oportunidade de escutar o processo de desenvolvimento de uma produtora, assim, conseguiu entender vários elementos que podem ser aplicados na produção de projetos pessoais futuros.
“Eu acho que é muito importante ouvir a experiência de outras pessoas que trabalham com audiovisual, principalmente aqui no interior, isso traz uma proximidade de nós, estudantes, com o mercado de trabalho e abre nossos olhos para possibilidades de criação de futuros projetos como profissionais”, ela pontuou.
Segundo o professor Soranz, a Semana da Cultura Audiovisual é essencial para a criação de uma cultura acadêmica entre os estudantes. Afinal, é uma oportunidade para valorizar trocas de experiências e criação de laços para colaborações futuras. Além da importância da atualização de temas e habilidades fundamentais para a formação de uma consciência crítica por parte dos estudantes, que terá efeito em sua atuação profissional
Para ampliar o acesso ao evento, a transmissão ao vivo de suas atividades foi coordenada por uma equipe de estudantes da WebTV, laboratório de ensino, pesquisa e extensão da FAAC. “Transmitir ao vivo é muito importante, não só para nós, alunos, que estávamos lá aprendendo a logística e a técnica, mas também para o evento e o público”, contou Giovanna Araújo, estudante do 3° período de Jornalismo e membro da WebTV.
A estudante ressaltou o papel fundamental da transmissão para tornar a programação mais acessível. Segundo ela, nem sempre os cronogramas dos interessados coincidem com as atividades, assim, o ao vivo entra como ferramenta de inclusão. “Mesmo quem não consegue estar presencialmente pode aproveitar e aprender com o que está sendo passado”, afirmou.
Giovanna destacou ainda que apenas os alunos do curso de RTVI têm liberação total das aulas para participar integralmente da programação. Por isso, as transmissões foram importantes para que estudantes de outros cursos da FAAC pudessem acompanhar atividades de interesse.
Para ela, participar da equipe técnica foi uma experiência muito significativa. “Foi muito bom sentir que eu estava contribuindo para que tudo pudesse ser visto para além daquela sala,” contou.
Assim, a 18ª edição da Semana da Cultura Audiovisual reafirmou a importância de espaços acadêmicos voltados à reflexão, prática e valorização do audiovisual, especialmente no contexto do interior paulista. Ao reunir diferentes vozes da área, o evento proporcionou uma experiência formativa além dos limites da sala de aula, conectando teoria e prática, além de permitir que os alunos tenham uma visão da realidade do mercado atual.
Com uma programação diversa, colaborativa e acessível, a Semana fortaleceu o papel da universidade como agente cultural e impulsionadora de criatividade e aprendizado. A iniciativa anual, já confirmada para sua 19° edição em 2026 pelo professor organizador, representa um espaço contínuo de formação estudantil e incentivo à produção audiovisual.





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