Manifestações que marcam a luta pelos direitos da comunidade começaram em junho de 1969, nos EUA
Isabela Dalaqua
Há mais de cinco décadas, em 1969, a luta pelos direitos dos homossexuais tomava um rumo gigantesco: a rebelião de Stonewall, sequência de manifestações que tomou conta das ruas de Nova Iorque e marcou para sempre junho como o Mês Internacional do Orgulho.
Stonewall Inn foi um bar localizado em Manhattan, Nova Iorque, aberto em 1930, mas que passou por diversos proprietários até ser reinaugurado em 1967 por mafiosos que enxergavam o público gay da região como uma possível exploração comercial. Dessa forma, o bar passou a ser frequentado principalmente por pessoas mais marginalizadas na época, como drag queens e transsexuais, incluindo muitos desabrigados.
A falta de licença do bar para comercializar álcool, no entanto, fazia com que ele fosse alvo de diversas operações policiais violentas. Os policiais invadiam o local, ameaçavam e espancavam clientes e funcionários, que então saíam e formavam filas para serem levados presos.
Na madrugada do dia 28 de junho de 1969, os clientes do bar reagiram a uma dessas operações policiais, o que desencadeou seis dias de manifestações em prol dos direitos dos homossexuais e lugares seguros para que eles pudessem se reunir. Dick Leitsch, jornalista e ativista dos direitos dos homossexuais, reportou para o The Advocate como foram as manifestações.

Ele explica que a polícia agiu, igual normalmente, com má fé e então os clientes começaram a lançar moedas, latas de cerveja, pedras e até parquímetros nos policiais, que então, recuaram para dentro do bar. Logo, a multidão ateou fogo no bar, que rapidamente foi apagado pelos policiais com uma mangueira do local.
Leitsch conta que, a princípio, apenas gays protestavam cantando frases como “Gay Power”, “Nós queremos liberdade agora” e “Equidade para homossexuais”, mas logo turistas e curiosos que passavam por lá entraram no meio da multidão para ajudar. Havia seis policiais no momento e um deles começou a “ficar esperto e causar hostilidade”, então os manifestantes pararam, primeiro um ônibus que passava e buzinou, e depois outros carros, impedindo o trânsito na região.
Carros da polícia começaram a chegar e mais manifestantes se juntavam, lixos e outras coisas eram jogadas nos policiais, nesse momento, muitas ruas já tinham sido tomadas pela manifestação. Os policiais, então, puxaram um menino da multidão – que não fazia nada demais, segundo Leitsch – e começaram a bater em sua cara, barriga e virilha com bastões.
A multidão se organizou entre os mais “machos”, descreve Leitsch, e puxou o garoto de volta, formando uma “barreira humana” para a proteção dos outros manifestantes. Essas pessoas deixaram os policiais baterem neles com os bastões, mas não deixaram eles passarem para chegar nos outros protestantes.
As manifestações duraram por mais algumas horas, até que os policiais conseguiram dispersar o povo e limpar a área, que seguiu recebendo manifestações nos próximos dias mesmo assim. No total, 13 manifestantes foram presos e quatro policiais foram feridos, o mais grave teve um pulso quebrado.
Semanas depois, a comunidade local organizou a Frente para a Libertação Gay (GLF) e, no final do ano, a Aliança de Ativistas Gays (GAA). Também revistas e jornais voltados ao público LGBT também começaram a circular. No ano seguinte, em 28 de junho de 1970, aconteceu a primeira Parada Gay, em Nova Iorque.

Os efeitos das manifestações no Brasil
A primeira Parada aconteceu no Brasil em 28 de junho de 1997, em São Paulo e, em 2010, todas as capitais do país já organizavam paradas. Hoje em dia, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é considerada a maior do mundo.
As estudantes do curso de arquitetura da Unesp Bauru, Alana Garcia, autodeclarada lésbica, contou que participou da última Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, em 2024. Ela disse considerar que a Parada traz muita visibilidade para a causa, mesmo as vezes sendo confundida com “uma festa ao invés de um movimento”.
Alana também explica que sentiu que a Parada era “muito voltada ao público gay e pouco para as lésbicas”, mas que pretende voltar em outras, pois, mesmo não sendo perfeita, é necessária para ajudar na manifestação dos direitos das pessoas LGBT+.

A 29ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo vai acontecer no dia 22 de junho de 2025, a partir das 10h, na Avenida Paulista, com o tema “Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro”.




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