O evento é organizado pelo Programa de Educação Tutorial de Rádio, TV e Internet em parceria com o coletivo Sankofa

Lara Fagundes

Cena do filme “Eu, um Negro” (Foto: Reprodução)

O Programa de Educação Tutorial (PET) de Rádio, TV e Internet da Unesp Bauru promove, nesta terça-feira, dia 17 de junho, mais uma edição do Cinedebate PET — projeto que exibe obras audiovisuais seguidas de trocas de reflexões e ideias a partir da sessão.

A atividade acontece às 18h, na sala 1 da Unesp Bauru, com a exibição do filme “Eu, Um Negro” (Moi, un Noir, 1958). O longa francês foi dirigido pelo cineasta Jean Rouch, que mistura ficção e documentário para registrar a vida de dois jovens imigrantes nigerianos que tentam encontrar emprego em Abidjan, na Costa do Marfim.

A sessão será realizada em parceria com o coletivo Sankofa, um grupo de estudos sobre relações raciais da Unesp. O evento é gratuito e aberto ao público. Após a exibição do longa, haverá uma roda de conversa para debater o conteúdo do filme e suas conexões com questões raciais e suas representações no audiovisual.

Histórico do Projeto

Marcos “Tuca” Américo, professor do curso de Rádio, TV e Internet e tutor do PET, conta que o Cinedebate faz parte do planejamento do projeto, regido pela Pró-Reitoria de Graduação da Unesp. A atividade surgiu da ideia de criar um momento aberto para toda comunidade que queira assistir e debater audiovisual.

Segundo o professor, os alunos do PET possuem autonomia na organização e curadoria de cada exibição, com o objetivo de alcançar uma formação além do que é visto em sala de aula. Por isso, as rodas de conversa, planejadas com obras e pessoas interessadas por temas escolhidos previamente, servem de auxílio para criação de repertório e pensamento crítico.

Além disso, Mariana Melim e Marina Llata, estudantes e membros do PET RTVI, explicam que a curadoria dos filmes é feita a partir do tema escolhido no início do ano. Em 2025, “diversidade” entrou como principal temática e norte para a escolha do que é exibido.

Ao longo do primeiro semestre do ano, o Cinedebate PET já teve duas edições: uma sessão de curtas da diretora Maya Deren, pioneira no cinema experimental, e a exibição do longa “Livrando a Cara” (Saving Face, 2004), realizada em parceria com o coletivo lésbico da Unesp, o Zami.

Cena do filme “Livrando a cara” (Foto: Reprodução)

Llata pontua que o Cinedebate tem o potencial de criar discussões sobre qualquer assunto. “A partir dele podem ser geradas mudanças significativas em um ambiente, cine debates são políticos”, comenta.

Melim completa que, com o tema da diversidade, tópicos sociais se tornam ainda mais importantes para o Cinedebate. As sessões buscam colocar em pauta como pessoas marginalizadas conseguiram fazer cinema e como elas abordam esses temas sociais na tela.

“Os filmes selecionados são do século passado ou do início desse século, com isso também debatemos a forma como essas questões são abordadas de maneiras diferentes em épocas diferentes”, explica a estudante.

No caso da sessão sobre Maya Deren, por exemplo, o objetivo do debate foi refletir sobre uma mulher que esteve no cinema experimental, um movimento que se fazia dominado pela direção masculina.

Filmes registram características da época e do comportamento humano. Llata pontua que, como uma espécie naturalmente social e política, mesmo se os filmes não fossem escolhidos para isso, ainda seria possível criar discussões políticas ao seu redor.

“Mas de qualquer forma, tentamos escolher sempre filmes que inevitavelmente nos instigam a pensar — discussões sociais, políticas e de identidade. Os filmes escolhidos para todos os CinePETs desse semestre mostram bem isso,” diz.

Cena do filme “The private life of a cat” de Maya Deren (Foto: Reprodução)

Relatos dos membros

Marina Llata relata que o debate que se aproximou mais da temática é o do filme “Saving Face”. “Senti que foi bastante pessoal para cada um que comentou, por ser uma vivência que nos toca bastante”, diz.

Elisa Trombini, também membro do PET, concorda que a discussão do filme foi importante para refletir sobre sexualidade e como ela impacta na vida das pessoas. “Tanto o filme quanto o debate foram importantes para que eu pudesse encontrar um pouco mais de conforto em ser eu mesma”, completa.

Cena do filme “Cobacana Mon Amour”, exibido pelo CinePET em 2024 (Foto: Reprodução)

Além das últimas atividades, o Cinedebate já teve edições em anos anteriores. Pedro Almeida, membro do PET, conta que a exibição do filme “Copacabana Mon Amour” no ano passado foi uma experiência marcante para si.

“O filme com sua linguagem abrasiva e não-convencional, narrativa não linear, absurdos e chiste — tudo foi uma experiência nova por sua linguagem mas muito proveitosa de se assistir, ainda mais com o fato de termos feito isso em um grupo de pessoas engajadas no que o filme poderia nos oferecer”, explica.

Pedro acredita que o CinePET ainda precisa construir seu caminho para a cultura de um Cineclube, mas todas as edições da qual participou foram proveitosas e repletas de trocas significativas sobre cinema — algo que, como estudante, sente falta dentro do curso de Rádio, TV e Internet.

A proposta de estimular o pensamento crítico, aproximar estudantes por meio do cinema e fomentar debates sociais segue como um dos pilares do Cinedebate PET. Segundo o professor Marcos, o evento terá continuidade no próximo semestre, com novas sessões, sempre em busca de ampliar a diversidade de olhares e fortalecer o papel do audiovisual como ferramenta de reflexão.

Próximo Cinedebate PET: Hoje às 18h


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