Boletim da Fiocruz alerta para a disseminação de diferentes tipos de vírus causadores da gripe; Influenza A se destaca, apesar de estar presente na composição vacinal de 2025

Beatriz Apolari

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última quarta-feira (12) um novo Boletim InfoGripe, documento que reúne os principais dados sobre casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) do país. No estudo, a organização destaca que a Influenza A tem sido o principal vírus causador da gripe entre jovens, adultos e idosos, apesar de fazer parte da composição vacinal contra influenza de 2025.

O boletim elucida que, dentre os casos positivos de SRAG em 2025, 24,5% são de Influenza A, 45,1% foi causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), 22,3% de Rinovírus, 9,9% de SARS-CoV-2 (COVID-19) e apenas 1,1% de Influenza B. Entretanto, nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a Influenza A é responsável por 40% das contaminações.

Segundo a Fiocruz, a Influenza A se destaca entre os casos de SRAG em jovens, adultos e idosos, enquanto o vírus sincicial respiratório é o principal causador da gripe entre as crianças. 

Gráfico comparativo da incidência semanal de SRAG e por vírus identificado laboratorialmente, dividido em faixas etárias distintas. Região cinza representa as últimas quatro semanas epidemiológicas. Gráfico: InfoGripe (Fiocruz)

Além disso, a alta dos casos de gripe trouxeram um aumento significativo dos óbitos registrados. Em 2025, já foram registrados 5.062 óbitos por SRAG em todo o território nacional, nos quais 45,3% foram ocasionados pela Influenza A e 34,2% por covid-19. Porém, nas últimas quatro semanas o índice de mortalidade causada pela Influenza A aumentou: são 75,4%.

Vacinação contra a Influenza

A composição das vacinas de 2025 produzidas pelo Instituto Butantan e distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é composta por três tipos de cepas virais (trivalente), sendo duas delas, referentes ao Influenza A:

  • Similar ao vírus influenza A/Victoria/4897/2022 (H1N1)pdm09; 
  • Similar ao vírus influenza A/Croatia/10136RV/2023 (H3N2); e 
  • Similar ao vírus influenza B/Austria/1359417/2021 (B/linhagem Victoria)

A atualização vacinal é anual e é guiada por recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), responsável por mapear os tipos virais mais comuns em cada região do globo. As orientações da instituição são analisadas e aprovadas pela Anvisa antes do início das fabricações.

A imunologista e professora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB – USP), Ana Paula Campanelli, explica que a vacinação é a forma mais segura de evitar a contaminação e as possíveis complicações da doença, reduzindo as hospitalizações e mortes associadas à influenza. Além disso, a imunização possui o papel de diminuir a circulação dos vírus, o que representa uma proteção à saúde coletiva.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, até o dia 12 de junho, mais de 36,4 milhões de vacinas contra o vírus influenza foram aplicados em todo o Brasil. A cobertura vacinal do grupo prioritário (idosos, crianças e gestantes) permanece baixa, registrando apenas 38,43% do total

Ana Paula também explica que o Brasil é reconhecido internacionalmente pela excelência de suas políticas públicas de imunização, mas explica que o cenário mudou nos últimos anos:

“A campanha de vacinação enfrenta desafios, como a baixa adesão da população, o que exige investimentos maiores em campanhas de comunicação para conscientizar sobre a importância da vacinação. Além disso, é fundamental aprimorar a comunicação para combater a desinformação, as “fake news” e o discurso negacionista, reforçando a necessidade de vacinar-se no período correto, antes do pico da doença”, explicou a especialista.

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