O país cumpriu o período de vazio sanitário, porém as ações de prevenção seguem intensificadas

Livia Ruela

Após ter cumprido o período de vazio sanitário de 28 dias estipulado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), na quarta-feira (18/05), o Brasil se declarou um país livre da influenza aviária, mais conhecida como gripe aviária. Contudo, as medidas de biossegurança adotadas pelos produtores locais, como os da cidade de Bastos, no interior paulista, seguem sendo intensificadas como forma de proteção diante da ameaça de novos surtos.

Segundo dados divulgados pela Reuters Brasil, a doença já provocou 174 surtos desde 2023 e resultou no abate de mais de 158 000 aves somente em maio deste ano, o suficiente para alimentar cerca de 1,5 milhões de pessoas em uma só refeição. 

Desde o primeiro surto em uma granja comercial, registrado em maio de 2025 no município de Marau, no Rio Grande do Sul, o Mapa adotou ações intensivas de contenção da doença. Foram abatidas 17 000 aves infectadas e outras 141  000 como medida preventiva. 

Embora os surtos confirmados de influenza aviária de alta patogenicidade (HPAI) no país sejam, na maior parte, entre aves silvestres em regiões costeiras, não utilizadas para consumo, a ameaça à estabilidade do setor aviário gerou preocupação generalizada nos produtores rurais. 

Em resposta, o Ministério da Agricultura reforçou a vigilância, ampliou as inspeções em granjas e postos de fronteira e realizou mais de 4 000 coletas de amostras para análise em frangos e aves de vida livre.

Bastos, maior produtora de ovos do Brasil, com uma produção diária de mais de 24 milhões de unidades, e importante parceira comercial de Bauru, reforçou as medidas de biossegurança nas granjas diante do surto. Tiago Henrique, gestor do Sindicato Rural de Bastos, enfatizou a importância desses cuidados:

“O risco é concreto, mas até o momento controlado com sucesso pelo país. O vírus já circula entre aves silvestres no território brasileiro, principalmente em áreas litorâneas. Por isso, a vigilância precisa ser permanente. A rápida contenção dos focos já registrados é um sinal positivo, mas a ameaça ainda exige atenção e preparo técnico do setor.”

Dentre os cuidados, destacam-se a implantação de barreiras sanitárias nos portões, pedilúvios, utilizados para manter a higiene dos pés dos animais, arcolúvios e rodolúvios, que buscam higienizar os transportes utilizados nas granjas, controle da entrada de veículos e visitantes, telamento dos barracões, além de restrição de visita em áreas produtivas.

Além disso, após o primeiro surto, em 2023, o sindicato apoiou fóruns estaduais sobre influenza aviária, promovidos pela Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, pela Associação Paulista de Avicultura (APA) e pela Câmara Setorial de Ovos e Derivados. Esses encontros reforçaram o papel preventivo do município frente à doença.

Imagem: Livia Ruela

A ameaça também influencia na economia. As exportações para outros países sofreram suspensões temporárias com o objetivo de evitar a disseminação da doença, o que afetou o mercado externo. No mercado interno, ainda que os danos tenham sido mais contidos, a pressão sobre os preços aumentou, especialmente entre os grandes produtores. 

Segundo o sindicato, houve um aumento entre 12 e 18% nos gastos com biossegurança, Até o momento, a demanda interna de ovos para consumo se manteve estável, mas produtores voltados à exportação enfrentam queda no faturamento devido às suspensões de embarques

Após o surto recente, o Sindicato tem promovido orientações de ações informativas e formativas como webinars com especialistas em sanidade animal, distribuição de cartilhas com orientações práticas, criação de grupo de WhatsApp para alertas rápidos e esclarecimento de dúvidas, além do curso presencial de biossegurança, que reuniu mais de 120 participantes no mês de abril. 

Tiago também menciona a necessidade de cuidado nas criações caseiras. “É muito importante que o cidadão que tenha aves de criação em casa, no quintal ou em sítios também redobre os cuidados com a biossegurança. A influenza aviária pode afetar não apenas a avicultura comercial, mas também as aves de subsistência, colocando em risco a saúde animal, a produção e até mesmo a segurança alimentar das famílias. Medidas simples como evitar o contato com aves silvestres, manter os espaços limpos e restringir visitas já fazem grande diferença na prevenção.”

Ainda que contido, o surto recente revelou a necessidade de cuidados constantes no setor alimentício. Organizações como o Sindicato Rural de Bastos e a Associação Paulista de Agricultura se mantêm alertas para essa e novas doenças que podem surgir nos setor agropecuário.

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