Eloah Kaway
O Festival Folclórico reuniu cerca de 120 mil pessoas em 2024. Foto: Arquivo/ Secretaria de Cultura e Economia Criativa
No município de Parintins, no Amazonas, artesãos e suas famílias intensificam os preparativos para o Festival de Parintins, que acontece entre os dias 27 e 29 de junho.
Reconhecido nacionalmente, o festival é um dos maiores eventos folclóricos do país, reunindo cultura, arte e milhares de turistas em celebração à identidade amazônica.
De acordo com o Ministério do Turismo, a expectativa para 2025 é superar os resultados das edições anteriores, que já chamam atenção: em 2024, o festival recebeu mais de 120 mil visitantes, número acima dos 110 mil registrados em 2023 e dos 111.498 em 2022.
Glaedson Azevedo, artista visual, compartilha sua trajetória e a forte ligação que mantém com o tradicional boi azulado, o boi caprichoso. Para ele, a tradição é o pilar que sustenta todo o trabalho.
“Hoje nós visamos muito essa questão da tradição, manter a tradição, pois a tradição ela não se mexe, né? Ela se mantém, ela se fortalece.”
Tradição que passa de geração.
Sua história com o festival começou em família e se aprofundou ao longo dos anos. “Meu avô foi o primeiro integrante da nossa família a entrar no Boi Caprichoso, há quase 60 anos atrás. Hoje nós somos a geração que dá sequência neste trabalho que foi começado lá atrás”.
Glaedson relembra como sua vivência no boi influenciou diretamente seu caminho profissional: “Faço parte da escola de arte do Boi Caprichoso, tendo contato com o desenho artístico. Do desenho artístico, vou para a universidade de artes visuais e hoje estou atuando como professor na Universidade Federal do Amazonas”.
Glaedson contribui na produção do boi azul durante os preparativos para o festival. Foto: Arquivo Pessoal
O processo até chegar o grande dia, envolve uma grande estrutura: “são muitas pessoas pensando, são muitas pessoas contribuindo com ideias para que seja feito da melhor forma possível o projeto”.
Inicialmente, o planejamento começa com um grupo menor, mas vai crescendo à medida que o festival se aproxima. “Começa com o conselho de arte, toda a diretoria, e isso vai engrandecendo com a chegada da equipe de galpão, dos QGs de confecção, das pessoas de eventos e dos convidados que vão contribuir mais próximo do festival.”
Ao todo, Glaedson estima que passa de 3.000 pessoas envolvidas, todas comprometidas com o grande espetáculo.
Sobre o festival
Conhecido como o “Festival do Boi-Bumbá”, ele celebra a rica tradição folclórica da região por meio de uma disputa artística entre os bois Caprichoso e Garantido.
Durante três dias, o evento reúne milhares de moradores e turistas que vibram com as apresentações de dança, música, artesanato e as impressionantes alegorias que representam histórias e lendas amazônicas.
A rivalidade entre os bois Caprichoso e Garantido em Parintins, segundo Glaedson, “é o que sustenta a beleza da festa”.
Ele explica que essa rivalidade nasce de um processo cultural e tradicional, mas também social e psicológico, já que “em determinados lugares você não pode usar a cor azul e em outros não pode usar a cor vermelha”.
A disputa é tão forte que, segundo ele, divide a cidade ao meio geograficamente em azul e vermelho. Para Glaedson, “isso fortalece cada vez mais a nossa cultura e a disputa”, que se torna “muito acirrada” a cada ano e “só engrandece o processo artístico, porque cada boi quer ser o melhor“.
Garantido e Caprichoso prometem encantar o Bumbódromo nesta sexta-feira (27), em mais uma noite de celebração do Festival de Parintins. Foto: Arquivo/Amazonastur
Seja azul ou vermelho, o Festival de Parintins é muito mais que uma disputa entre os bois Caprichoso e Garantido. É uma celebração da cultura amazônica que une tradição e arte de quem faz parte, encantando moradores e turistas a cada ano.
As apresentações acontecem entre os dias 27 e 29 de junho, no Bumbódromo de Parintins, com ingressos à venda antecipadamente. Mais informações podem ser encontradas nos canais oficiais da Prefeitura de Parintins e do festival.





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