Casos ocorreram em menos de dois meses e acendem alerta sobre maus-tratos a animais na cidade

Marco Oliveira

Desde o dia 25 de abril, uma sequência de mortes de gatos vem alarmando a cidade de Jaboticabal, no interior paulista. Em menos de dois meses, ao menos dez felinos foram encontrados mortos, todos com sinais evidentes de violência física, corpos machucados, costelas e outros ossos quebrados, e uma semelhança entre os casos, que indicam um padrão. O último registro de foi na última terça-feira, 17 de junho.

A médica veterinária Regiana Casceello, residente da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP de Jaboticabal, foi a primeira a receber um dos animais mortos. Desde então, todos os outros nove passaram também por ela – para necropsias e/ou documentação. “Todos os gatos apresentavam sinais de agressão, com ossos quebrados nos mesmos lugares, o que é muito preocupante. Não é um caso isolado, é um padrão. E o mais assustador é que os bichos foram encontrados em uma mesma região”, diz a veterinária.

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Padrão de violência

O que mais chama a atenção dos profissionais que lidaram com os corpos é a repetição dos sinais de violência: as costelas esmagadas, algumas com perfurações, e em certos casos lesões cranianas compatíveis com pancadas. “Não se trata de acidentes. Foi proposital”, diz Regiana.

A médica ressalta que, embora muitos gatos estejam em situação de rua, alguns dos animais mortos tinham donos, o que aumenta ainda mais o clima de insegurança. “Imagine deixar seu gato sair para o quintal ou para a calçada, como sempre fez, e depois encontrar  morto.”

Até o momento, os casos foram registrados apenas por meio de denúncias informais, muitas vindas dos próprios médicos veterinários e de moradores que encontram os animais mortos. Segundo, funcionários administrativos do setor veterinário da UNESP, as denúncias serão formalizadas assim que todos os laudos estiverem prontos.

Vizinhos em alerta

Moradores do bairro São Judas, onde foram encontrados os animais, relatam um clima de tensão desde o surgimento dos primeiros corpos. “É muita maldade do homem, né? Tem que ter muita crueldade no coração pra fazer isso. Eu prendi todos os meus gatos dentro de casa”, conta a moradora Sandra Oliveira, residente do bairro há mais de 15 anos.

Muitos moradores passaram a instalar câmeras de segurança, reforçar muros e até dormir com as janelas abertas para ouvir eventuais barulhos durante a madrugada. A situação mobilizou os residentes em grupos de WhatsApp e redes sociais para tentar mapear a ocorrência dos crimes. Muitos acreditam que o autor seja alguém com distúrbios mentais e outros de que se trata de rituais satânicos. 

O que diz a lei?

No Brasil, maltratar, ferir ou matar animais é crime ambiental, previsto pela Lei Federal nº 9.605/1998. Desde a aprovação da Lei Sansão (Lei 14.064/2020), as penas para maus-tratos a cães e gatos podem chegar a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais.

Apesar da legislação, o índice de punição ainda é baixo, principalmente quando não há investigação formal ou envolvimento do Ministério Público. A falta de provas técnicas, como imagens, testemunhas ou exames de necropsia detalhados, pode dificultar a responsabilização.

A médica veterinária Regiana reforça a importância de registrar os casos junto à delegacia, fotografar os corpos e solicitar laudos veterinários sempre que possível. “Toda documentação é fundamental para ajudar a punir o agressor.”, conclui.

A comunidade local aguarda por respostas e medidas concretas das autoridades para esclarecer os casos e evitar novas ocorrências. Enquanto isso, os moradores reforçam a vigilância e a proteção de seus animais de estimação, enquanto profissionais da área veterinária seguem atuando na documentação dos fatos. A expectativa é que, com os laudos prontos e as denúncias formalizadas, o caso avance para investigação oficial e eventual responsabilização dos envolvidos.

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