Mais uma vez com dificuldades contra tenistas top-50 da ATP, a promessa brasileira inicia nova etapa com derrota em Halle
Pedro Lélis
João Fonseca vem se consolidando como uma das maiores promessas do tênis brasileiro e mundial. Com apenas 18 anos, o jovem carioca já acumula conquistas importantes, como o título do US Open juvenil em 2023 e o ATP 250 de Buenos Aires em 2025, onde se tornou o brasileiro mais jovem a conquistar um título na ATP. A carreira do tenista tem sido marcada por um crescimento rápido e consistente, posicionando-se entre os 60 melhores do mundo.

O estilo de jogo de Fonseca é uma das principais características que o diferencia na nova geração. Segundo Rafael Siviero, estudioso e administrador do perfil @sempretenis, “o João tem um estilo bem claro, que é um jogo bem agressivo, baseado no saque e no forehand. Ele não é um jogador passivo, ele sempre toma a iniciativa do ponto, buscando a definição e o winner. Às vezes acaba errando por jogar com muita agressividade, mas não perde essa identidade”. Siviero complementa que “ele é um jogador completo, com todos os golpes e quando ele consegue direcionar o jogo para esses pontos fortes, tem muito sucesso”.
Apesar das vitórias importantes, como a emblemática contra Andrey Rublev no Australian Open, Fonseca ainda enfrenta desafios contra jogadores do top 50 e top 40 do ranking da ATP. Sobre isso, Rafael destaca: “Ele está no ritmo ideal para a idade e para o segundo ano no circuito profissional, com uma curva de evolução maior do que o esperado. O que ele precisa agora é ganhar mais ritmo de jogo contra os tops para se acostumar com o alto nível e dosar melhor a agressividade, reduzindo os erros não forçados”.
Desafios na grama
A temporada de grama, que começou recentemente, trouxe um revés ao jovem atleta com a eliminação precoce no ATP 500 de Halle, onde perdeu para Flavio Cobolli (24º no ranking da ATP) de virada, mesmo tendo tido um match point a favor. Sobre essa etapa da temporada, Rafael comenta: “Não temos ainda uma amostragem muito grande para analisar até onde ele pode chegar na grama. A grama é uma superfície que beneficia seu estilo de jogo, mas ele ainda precisa ganhar mais tempo de quadra para se adaptar, pois a temporada é curta e rápida”. Ele ressalta ainda que o torneio em Halle e o próximo servirão como ajustes para Fonseca se preparar para Wimbledon, onde o jovem será cabeça de chave pela primeira vez.

Perspectivas para o futuro
Além das partidas de simples, Fonseca também participou das duplas durante a temporada de grama, uma estratégia para melhorar aspectos técnicos do seu jogo. Rafael explica: “Ele não costuma jogar duplas, mas acredito que tenha feito isso para pegar o jeito da superfície, melhorar o jogo de rede, voleio e devolução, que são fundamentais na grama. Foi pontual e importante para essa adaptação, embora não deva ser uma rotina na carreira dele”.
Quanto ao futuro, as perspectivas são muito positivas. Rafael Siviero acredita que João tem potencial para uma carreira de elite: “Ele tem todos os atributos e está cercado das pessoas certas para isso. Palpitando, eu diria que ele pode chegar ao top 20 e, quem sabe, até ao top 10. Claro que tem muitas variáveis, mas tudo indica que ele tem uma carreira promissora pela frente”. O último tenista brasileiro a chegar perto desta marca foi Thomaz Belucci, em julho de 2010, quando esteve em 21º lugar. Já o melhor ranqueado de todos os tempos, foi Gustavo Kuerten, o Guga, que se tornou o ‘número 1’ do mundo, pela primeira vez, em 2000.

Com essa base sólida, João Fonseca segue firme na busca por se estabelecer entre os melhores do mundo. A temporada de grama, apesar do início turbulento, é mais uma etapa de aprendizado que pode servir de trampolim para resultados ainda melhores em torneios importantes como Wimbledon e os demais desafios que virão.





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