Segundo o censo do IBGE de 2022, a cidade possui 719 locais com atividades religiosas
Bruno Rys, Gabriel Turolla e Thais Evangelista
Bauru é localizada no interior do estado de São Paulo, e de acordo com o último censo demográfico do IBGE, a cidade possui uma variedade de propriedades voltadas para a prática religiosa. O número chega a 719, mais do que os 650 estalebecimentos da área da Saúde e 334 de ensino.
Entre as propriedades religiosas estão igrejas, terreiros, templos, sinagogas, centros espíritas e outros. Para se ter uma ideia da diversidade religiosa, na década de 50 e após as imigrações de japoneses para Bauru, a cidade também teve uma influência significativa da religião japonesa Tenrikyo, patrimônio cultural desde 2003.
Foto: Divulgação / Social Bauru
Com a diversidade de religiões e levando em consideração o número de habitantes em Bauru — que chega a quase 400 mil, é um desafio saber como as diferentes doutrinas coexistem no ambiente. Para Gabriel Freitas, estudante de nutrição, ainda há muito preconceito na sociedade. Gabriel já transitou entre três religiões: Catolicismo, Judaísmo e atualmente é da Umbanda.
Para ele, a coexistência das religiões pode ser melhorada com a comunicação. “Acredito que o principal de tudo é superar as principais questões preconceituosas que estão bem presentes em toda sociedade. Claro que as mais periféricas acabam sofrendo mais. Já presenciei muito mais questões preconceituosas agora que sou de uma religião de matriz africana. É preciso conhecer todas as religiões para superar essa problemática. Por isso, uma das grandes questões é a falta de diálogo entre as religiões. Isso precisa ser melhorado “, comentou.
Gabriel teve contato com o Catolicismo e o Judaísmo quando era criança. Sua família é católica e ele teve muito contato com o Judaísmo por conta de um amigo próximo da família. Para ele, isso foi importante, já que ele obteve conhecimentos não só em uma religião, mas sim em três. “O Catolicismo e o Judaísmo sempre estiveram presentes muito perto de mim, então é aquela questão de não ser uma escolha, era apenas uma criança. Então essa mudança para a Umbanda acabou não sendo tão abrupta para mim. Mas entendo que, em um contexto geral da população, é um desafio essa questão de se dialogar entre diferentes religiões. Acaba sendo algo muitas vezes mal visto”.
No propósito de evitar o preconceito, Gabriel acredita que as instituições de ensino deveriam ensinar mais sobre a temática religiosa. Para o estudante, “é preciso conhecermos todas as crenças para estarmos abertos ao debate e compreender questões da atualidade. Além disso, ter o ensinamento de valores éticos, independentes da religião, como respeito ao próximo, justiça e solidariedade, por exemplo”.
Para uma melhor coexistência, ele diz que enfrentar o preconceito é a melhor maneira. “Outro ponto chave é estar aberto à diversidade. Nosso mundo é muito diverso. Por fim, acho que devemos estar sempre aptos ao combate, né? É importante toda essa questão de fiscalizar e denunciar casos de preconceito. Temos que estar inteirados sobre programas como o Disque 100”.
O programa Disque 100 é um incentivo do Governo Federal para lidar com casos de infrações nos direitos humanos, incluindo também intolerância religiosa.
Por fim, Gabriel frisa que o principal obstáculo que as religiões enfrentam quando tentam coexistir é porque muitas vezes temem o desconhecido. Para ele, é necessário informação para quebrar essa barreira.






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