João Provasi

Desenvolvido por meio da ciência do microbioma, a Tecnologia do Consórcio Probiótico, TCP, é uma solução natural que tem como objetivo estabilizar o microbioma do solo, oferecendo melhores condições de produtividade e resiliência diante dos desafios climáticos e econômicos do agronegócio.

O agronegócio ocupa posição estratégica na economia nacional, correspondendo a uma fatia de 22,8% no PIB brasileiro para o ano de 2026, após décadas de crescimento motivado pelo protagonismo alcançado no mercado internacional de commodities.

Na safra 25/26, o Brasil bateu novos recordes de produção, com destaque para o cultivo de soja, milho e algodão. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, foram 361,7 milhões de toneladas de grãos colhidos.

Para a temporada 26/27, as projeções da safra atual, iniciada entre agosto e setembro, estão em cerca de 367,1 milhões de toneladas, com metade desse valor ocupado apenas pela soja.

Mesmo com as projeções otimistas, a rentabilidade das safras pode ficar aquém dos esperado graças a uma série de oscilações. “Trata-se de uma estimativa inicial, sujeita às condições climáticas e às revisões ao longo da safra”, explica Roberto Araújo, gerente de relações institucionais e sustentabilidade da Associação Brasileira de Agronegócio, ABAG.

Cenário climático é um dos principais desafios

Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, o fenômeno “El Niño”, deve atingir máxima histórica. Caracterizado pelo deslocamento das águas aquecidas do Oceano Pacífico Equatorial para o Pacífico Central e Leste, esse evento atua na formação de chuvas e estiagem, o que impacta a produção agrícola no Brasil.

Os índices apontam para maior incidência entre o começo da primavera e o fim do inverno, afetando principalmente o milho safrinha, com queda estimada em 17% pelo Banco Itaú. “As mudanças climáticas impactam em como a gente produz; na retenção de carbono, na variação orgânica e na capacidade do solo em promover a agricultura”, salienta Hugo Ricardo, gerente de Agricultura e Florestas do Pacto Global da ONU.

A falta ou excesso de chuvas também interferem na composição nutricional da terra, provocando o processos que limitam a capacidade produtiva da lavoura. “É um solo com balanço de nutrientes mais debilitados, com menos propriedades físico-químicas”, detalha Hugo.

Segundo a FAO, 33% dos solos globais apresentam degradação. Fonte: Site Sustentável

Ele destaca um fato comum em muitas plantações; quando faltam nutrientes, a solução é aplicá-lo manualmente. “Com baixa matéria orgânica, é preciso maior correção e intensificação de nutrientes como o nitrogênio, fósforo e o potássio”.

Nesse momento crucial da etapa produtiva, um produto indispensável na agricultura moderna sai do galpão da propriedade e segue para o talhão: os fertilizantes minerais.

Brasil: o maior importador de fertilizantes do mundo

Os fertilizantes suplementam a necessidade nutricional da planta atuando sobre a estrutura biológica do solo. Com a base NPK, formada por nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), a planta tem os macronutrientes essenciais para o seu desenvolvimento saudável.

Como o Brasil carece de uma indústria forte de fertilizantes, em 2025, o país se tornou o maior importador global de fertilizantes, adquirindo um total de 43,3 milhões de toneladas, volume correspondente a 88% do consumo total na safra 25/26 segundo a COGO Inteligência em Agronegócio.

Apesar da quantia expressiva, ela não se manteve. Com a rentabilidade variável, as importações registraram queda de 5,4% somente no primeiro trimestre de 2026, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos, ANDA. “A quantidade adquirida pode cair porque o preço subiu […]. Adiar compras alivia o caixa no curto prazo, mas também causar perdas de produtividade”, considera Araújo.

O contexto geopolítico também afeta a disponibilidade. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a oferta internacional de nitrogenados caiu em 20%. Esse cenário aperta a margem de lucro, e, no fim, repassa os custos para os alimentos no mercado.

“É preciso consolidar o solo brasileiro com resiliência. Estamos falando de um atributo econômico de valor importantíssimo para a cadeia como um todo”, defende Hugo Ricardo.

Mas qual caminho seguir diante de tantos entraves produtivos? Para Altamiro Alvernaz, basta olhar para baixo, onde a bota pisa.

Um olhar atento ao solo

Pesquisador agropecuário e cientista, Altamiro Alvernaz acredita que a resposta para essa pergunta está no próprio solo. Ou melhor, está em tudo que compõe sua biologia.

Para ele, o desgaste do solo está relacionado ao “desequilíbrio microbiológico”, condição em que o ambiente não corresponde ao desempenho esperado porque o seu microbioma está fora das condições nutricionais adequadas.

Essa proposta parte da análise metagenômica, que identifica o desequilíbrio de nutrientes pelo material genético do solo. “As plantas que nascem estão em um ambiente equilibrado”, destaca o pesquisador.

Altamiro, no entanto, só percebeu como o solo se comporta após anos de estudo relacionado ao “eixo intestino-cérebro”. O motivo? Amenizar as consequências do Alzheimer em sua mãe.

Altamiro Alvernaz, idealizador da TCP Fonte: Altamiro

TCP: solução baseada na microbiologia do solo

Durante as pesquisas, Miro, como é conhecido, identificou que no corpo humano alguns patógenos se manifestam através da “disbiose” – o desequilíbrio da microbiota intestinal. Curioso, percorreu o mundo atrás de novas pesquisas e acabou descobrindo uma outra função para os microrganismos: a criação animal.

Ao refletir sobre como suas observações a respeito da microbiota também eram utilizadas para fins produtivos, questionou-se. “Se na saúde humana, quando se equilibra a microbiota, a gente consegue uma série de benefícios, por que não reorganizar o solo?”

Foi nesse momento de “Eureka” que Alvernaz deu ritmo às pesquisas sobre a microbiologia do solo que resultaram na criação da Tecnologia do Consórcio Probiótico, a TCP.

Equilíbrio como motor da produtividade

O produto surge da integração entre a Engenharia Ecológica de Microbiomas e os consórcios probióticos, que restauram o ambiente através de um conjunto de microrganismos que impulsionam a resistência aos estresses bióticos e abióticos do solo e das plantas.

A TCP contém bactérias e fungos naturais que reequilibra o solo por meio da interação com os fluxos biológicos, estabilizando a disparidade entre os microrganismos gradualmente. “Nesse caso, reorganizar o solo vai proporcionar a planta, via metabolismo, ácido orgânico e enzimas que vão ajudar a disponibilizar nutrientes”, acrescente Alvernaz.

O produto tem uma abordagem preventiva. Ao invés de corrigir um sintoma, como a falta de cor da planta, a TCP repara o sistema como um todo para solucionar a causa, melhorando o equilíbrio microbiano e tornando o solo mais resiliente.

O pesquisador argumenta que a necessidade de reorganização é, em parte, resultado do manejo ligado ao uso de fertilizantes minerais. “Quando você aplica, safra após safra, o fertilizante vai matando os microrganismos do solo. Aí o fungo e o nematóide viram oportunistas”, ressalta.

A presença do cloreto de potássio e dos ácidos sulfúricos e fosfórico na composição dos fertilizante são responsáveis pelo desequilíbrio, resultando no ciclo apresentado a seguir:

Resultado: A TCP reduz as correções constantes e a ação com defensivos ao longo da safra, tornando o cultivo mais saudável e seguro. “Os produtos feitos com a TCP, sem o processo de acidulação, são o que hoje é chamado de orgânico; e mais barato, porque se você consegue reduzir custos”, exalta Miro.

Solução que cabe no campo e no bolso

É olhando para o cenário otimista do agronegócio nacional que a TCP procura ser estratégico para quem produz.

Um de seus efeitos é o potencial de reduzir os custos com fertilizantes e defensivos agrícolas, movimento descrito como importante por Roberto Araújo. “A possibilidade de ampliar as exportações representa uma oportunidade de novos investimentos, mas exige reduzir vulnerabilidades, como a dependência de fertilizantes importados”.

Na soja, a nodulação satisfatória ativada por 2L/ha da TCP fixa de forma mais eficiente o nitrogênio no solo, permitindo a economia de fertilizantes nitrogenados. “Do que adianta ser 100% solúvel, se quando ele chega no solo, só 20% fica disponível para planta? A ideia é ter essa disponibilização em 100%”, questiona Alvernaz.

A TCP é aplicada no sulco, na semeadura ou na foliar (até V4) Fonte: Altamiro

E esses benefícios são comprovados na prática. A partir das análises feitas nas lavouras que usaram a TCP, foi possível constatar ganhos expressivos de produtividade.

Pesquisa realizada pela Esalq/USP comprovou que a aplicação de 1L/ha de TCP no sulco da semeadura, e mais 1L/ha no tratamento das sementes em lavouras sem adubação, libera fósforo suficiente para a produtividade alcançar o patamar de uma plantação adubada.

Essa associação garante o desenvolvimento mais robusto das raízes, que fortalecem o solo através da descompactação e da boa infiltração de água, processo que ajuda na multiplicação e manutenção de bactérias inoculadas no microbioma do solo.

Com o ambiente solo-raiz mais estruturado, as expressões fisiológicas e nutricionais ficam protegidas desde o início do plantio, conferindo mais resistência às alterações do clima. “Uma coisa vista na prática, com a produtividade como resultado, é que as plantas tinham maior resiliência em resistir a um período de muita seca ou chuva”.

Um novo mundo de possibilidades

Os objetivos de Altamiro não acabaram na TCP. Fundador do laboratório Lydia Lopes Alvernaz, dedicado à pesquisa, e CEO da Global Biotecnologia, voltada ao mercado, ele projeta no presente, com soluções como a TCP, um futuro mais produtivo, seguro e sustentável para o agronegócio.

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