Data comemorativa é sinônimo de união, empatia e conscientização

Carolina Bordin

O dia 14 de junho celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue, responsável por salvar até quatro vidas a cada bolsa doada. Em maio de 2005, por iniciativa da Assembleia Mundial da Saúde, a data foi escolhida em homenagem ao aniversário de Karl Landsteiner, médico e biólogo nascido na Áustria, mas naturalizado estadunidense, falecido em 1943. 

O profissional é lembrado por ser o descobridor do fator Rh, uma proteína presente nas hemácias e responsável por caracterizar o sangue como positivo (na presença do antígeno) ou negativo (na ausência do antígeno). Em seus trabalhos na área, Landsteiner também chegou à diferenciação e classificação dos grupos sanguíneos, conhecidos como A, B e O ou “sistema ABO”.

Foto: Reprodução / MD Saúde

No Brasil, a taxa de doadores de sangue cresceu nos últimos anos, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2022, o sistema registrou cerca de 3,1 milhões de doações, representando 1,4% da população. Já no ano seguinte, em 2023, o percentual registrado foi de 1,6%. Os valores estão dentro da margem recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), onde cada país deve ter entre 1% a 3% de doadores em sua população local.

O procedimento para fazer a doação é simples e seguro, composto por cinco etapas. Primeiro, o doador é submetido a um cadastro, seguido por triagem clínica, onde alguns procedimentos são adotados para verificar a saúde geral, como questões de anemia, pressão arterial, batimentos cardíacos, peso e temperatura. Além disso, há a possibilidade de assinatura do voto de autoexclusão (VAE), mecanismo desenvolvido para garantir maior segurança no processo de transfusão. Este contém instruções sobre como prosseguir caso conste que o sangue não é apropriado, devendo ser descartado ao fim da coleta. Após esta análise, ocorre a doação propriamente dita, seguida por lanche oferecido pelo local de atendimento.

Valéria Ferreira Nunes Coltri, assistente social do Hemonúcleo do Hospital de Base de Bauru, é responsável pela captação de doadores de sangue e medula óssea na cidade e região. Em entrevista, a profissional deu detalhes sobre como funciona o atendimento da unidade e o esforço constante para manter doadores ativos.

“Nós desenvolvemos no nosso cotidiano estratégias para captação de doadores. O serviço social entra em contato com doadores já cadastrados lembrando da importância da doação. Também temos parcerias com empresas e igrejas que realizam campanhas aqui, e fazemos o trabalho de reposição, que consiste em entrar em contato com familiares de pacientes que utilizam a transfusão, informando se é possível ele nos ajudar mandando doadores. Esse movimento não é obrigatório, mas é um método para tentar desmistificar e motivar um novo doador, porque ele acaba vindo ‘pra’ ajudar um amigo, um parente, e acaba vendo que não é nenhum bicho de sete cabeças”.

Segundo Valéria, em Bauru, com a queda já esperada no número de doadores nessa época do ano, o estoque está abaixo do ideal para tipos negativos. Porém, apesar deste cenário, a taxa de doadores na cidade é animadora, atingindo 70%. O restante é obtido por meio de atendimentos em outras cidades que estão na área de cobertura da Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar), como Pederneiras, Agudos, Macatuba, Arealva, Pirajuí, Piratininga, Lençóis Paulista, Iacanga e Duartina

Valéria ainda ressalta a importância de um bom atendimento, para que ocorra sempre um retorno positivo entre os doadores e o Hemonúcleo. “Tem que ter aquela qualidade no atendimento, na recepção com o doador ‘pra’ que ele retorne. Tem que ser um serviço de qualidade, saber o valor do doador, entender que é um ato de solidariedade, de generosidade, que ele não está vendendo. Todos tem que ser bem tratados, com amor e carinho, ‘pra’ que se sinta bem, acolhido, e retorne”.

Foto: Portal Hospitais Brasil

Campanhas que fortalecem

A OMS e a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) atuam como parceiras no lançamento de campanhas anuais para promover doações constantes e obter cada vez mais apoio. Em 2025, o lema escolhido foi “Doe sangue, doe esperança: juntos, salvamos vidas”. No site oficial, a organização detalha o significado da mensagem escolhida para esse ano, onde “destaca a capacidade dos doadores de sangue de levar vida a quem precisa. O objetivo é conscientizar a população de que vidas podem ser salvas pelo simples ato de doar sangue. A campanha apresentará histórias de pessoas que sobreviveram graças a doações, publicará depoimentos de doadores, incentivará doadores regulares a manterem seu compromisso e motivará pessoas saudáveis, especialmente jovens adultos, a doar sangue pela primeira vez”.

Pôster da campanha de 2025. Foto: OPAS

O Hemonúcleo de Bauru trabalhará com a campanha do “Junho Vermelho”, onde são concentradas ações para que a população colabore com a causa. Com seu desenrolar, a equipe da unidade espera reverter a situação negativa dos estoques. “Essa campanha vem de encontro com a nossa necessidade, que é apresentada não somente aqui na região, mas um reflexo negativo no país todo, com a queda do número de doadores. A gente consegue fazer essa campanha o mês inteiro, de conscientização, falando da importância da doação”, comentou Valéria.

Aliado à campanha, nos dias 13 e 14, o Hemonúcleo promove seu tradicional “Arraial do Bem”. O evento busca acolher os doadores de uma forma especial, onde são oferecidos lanches juninos típicos após a doação, além de mimos de parceiros.

Aplicativos na palma da mão

Para incentivar o acesso da população à informações e facilitar o processo de doação, as lojas de aplicativos contam com o mini app Hemovida disponível para download. Integrado ao Meu SUS Digital, antigo Conecte SUS, ele funciona também em formato web, clicando aqui. A ferramenta desenvolvida pelo Governo Federal está disponível desde novembro de 2023 e traz diversos serviços de forma gratuita.

É possível baixar a carteirinha de doador – onde constam informações cruciais, como tipo sanguíneo e data da última doação – utilizar geolocalização para identificar serviços hemoterápicos mais próximos, acessar as regras para ser doador, alertar sobre campanhas vigentes, conferir o histórico de doações, convidar amigos e ainda avaliar o procedimento, contribuindo para medir a satisfação do público e facilitar a implementação de melhorias nas unidades.

Além disso, também está disponível o app Famesp com Você, que permite o acesso aos agendamentos e exames dos pacientes atendidos pelas unidades de saúde administradas pela Famesp, como o Hemonúcleo do HBB. Segundo Valéria, uma das facilidades do app é enviar ao usuário uma notificação lembrando-o que está na época de fazer mais uma doação de sangue, não deixando a causa cair no esquecimento.

Serviço

Em Bauru, a população tem à disposição duas unidades de coleta, prontas para receber doadores durante a semana.

Hemonúcleo do Hospital de Base de Bauru 

  • Endereço: Rua Monsenhor Claro, 8-88 – Centro
  • Telefone: (14) 3231-4771
  • Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 07h às 13h; aos sábados, das 07h às 12h

Hemovida (Hospital Beneficência Portuguesa)

Endereço: Entrada pela rua Gustavo Maciel, quadra 15; ou pela rua Rio Branco, 13-83
Telefone: (14) 99770-5078 (WhatsApp) ou (14) 2106-8644
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 7h às 12h e das 13h30 às 16h

Para ser um doador apto:

  • Ter de 16 a 69 anos (menores de idade devem ter a autorização dos pais ou responsável legal);
  • Ter peso igual ou superior a 50 kg;
  • Estar alimentado, mas evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação. Caso seja após o almoço, aguardar duas horas;
  • Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;
  • Não consumir bebida alcoólica nas 12 horas anteriores;
  • Não ter feito tatuagem nos últimos 6 meses;
  • Evitar fumar por pelo menos duas horas antes da doação.

Em alguns casos, não é possível doar, como:

  • Pessoas com diagnóstico de hepatite após os 11 anos de idade;
  • Mulheres grávidas ou que estejam amamentando;
  • Pessoas expostas a doenças transmissíveis pelo sangue, como AIDS (HIV), HTLV, hepatites B e C, sífilis e doença de Chagas;
  • Usuários de drogas;
  • Atividade sexual com múltiplos parceiros nos últimos 12 meses;
  • Presença de sinais e sintomas de gripe ou resfriado no dia da doação.

Seja um doador de sangue você também!

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