Guerra na Ucrânia se estende ao quinto ano de conflitos
João Pedro Coelho

Na terça-feira (31/03), o presidente da Ucrânia Volodomir Zelensky esteve em contato com mediadores dos EUA. Na ocasião, pediu aos americanos para transmitirem à Rússia uma proposta de cessar-fogo no período da Páscoa, que foi respondida no dia seguinte com ataques de drones russos na região oeste do país.
Do lado russo, o Kremlin entendeu a sugestão como uma manobra de relações públicas e não considerou uma real intenção de trégua do outro lado. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, viu a proposta como uma tentativa ucraniana de repor perdas e se reforçar para os próximos embates.
Aliados de Zelensky
Na quarta-feira, Zelensky tornou a debater medidas para o fim dos conflitos com a comunidade global. Na ligação remota estavam o senador americano, Lindsey Graham, O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o genro de Trump, Jared Kushner e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff.
Além disso, na última semana o líder ucraniano se reuniu com países do Golfo para firmar acordos de cooperação em defesa militar. Dentre os países estão Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita, isso demonstra proximidade dos conflitos do oriente médio e leste europeu.
Em pronunciamento, o presidente afirmou que esses esforços aproximam uma possibilidade de paz e agradeceu o apoio dos EUA. “Isso é exatamente o que pode abrir um caminho ao fim da guerra”, disse Zelensky.
Quatro anos de conflitos
Segundo seu discurso, Zelensky procura encerrar os conflitos que já atingiram a marca de quatro anos de duração. A guerra entre Rússia e Ucrânia teve início no dia 24 de fevereiro de 2022 e acumula grandes números em estatísticas de destruição e mortes. Desde o início, são cerca de 2 milhões de baixas totais (soma total de mortos e feridos).
Já são mais de 15 regiões impactadas severamente pela guerra e diversas localidades seguem sob disputa territorial, e causam a destruição de 14% das casas do país . Hoje, a Rússia ocupa quase 20% do território ucraniano, incluindo a península da Criméia e regiões como Donetsk e Luhansk, nas faixas leste e sul da nação.

De acordo com um relatório oficial produzido pelo governo da Ucrânia, ONU, Banco Mundial e União Europeia, seriam necessários mais de 588 bilhões de dólares (algo em torno de três trilhões de reais) para recuperar os danos causados ao país. Os principais gastos da guerra estariam direcionados para moradias, energia, transporte e indústrias, tudo dentro de um prazo de dez anos. Vale destacar que conforme o conflito se estende, maior o custo para sua recuperação.
Impacto sobre civis
Em meio às hostilidades, a população sofre e tem suas vidas completamente abaladas pela guerra. Kateryna Slinko é uma professora ucraniana e doutora em Direito que viveu o primeiro ano de conflito, antes de vir ao Brasil. Em entrevista, ela se lembra dos primeiros instantes de guerra em sua cidade, Kharkiv, uma das primeiras localidades atingidas no conflito. “Nos primeiros minutos já tivemos muita destruição na nossa cidade, foi como um apocalipse”, relata.

Além dos riscos iminentes de bombas e artilharias, a população passa por uma crise de recursos e precisa adaptar suas rotinas para sobreviver à guerra.
Ao longo dos embates, usinas de eletricidade e aquecimento se tornaram alvos, especialmente no inverno. Ataques como esses causam cortes duros e já deixaram mais de 1,4 milhão de pessoas sem água potável. “É uma vida sem internet, sem eletricidade, sem água, infelizmente as pessoas podem se adaptar à todas situações terríveis” afirma Kateryna.





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