Leituras online e conteúdos sobre as cartas se popularizam entre a geração Z e se tornam prática recorrente, principalmente em momentos de incerteza
Bianca Costa

Em meio a vídeos curtos e conteúdos personalizados, as tiragens de tarot aparecem como respostas possíveis para as incertezas do cotidiano. As Hashtags relacionadas ao tema, como #Tarot ou #Tarotok, já acumulam centenas de milhares de publicações e bilhões de visualizações no TikTok, indicando o interesse por conteúdos de tarot entre os usuários mais jovens.
Sendo o Tiktok uma rede social de público predominante jovem, uma vez que dados da empresa de tecnologia Adobe indicam que 64% dos jovens utilizam o TikTok como ferramenta de busca, plataformas deixam de ser apenas espaços de entretenimento e passam a funcionar como mecanismos de resposta.

Pesquisas do Pew Research Center reforçam que essas redes também se consolidam como fonte de informação entre jovens, refletindo uma busca por respostas imediatas em um cenário de incerteza.
Foi nesse ambiente que Elisa Scianni (21), teve o primeiro contato com as cartas de tarot, aos 17 anos. Sem conhecer alguém que realizasse leituras, encontrou acesso a esse mundo pelas plataformas digitais, até atingir um uso mais intenso.
O hábito de acompanhar leituras online levou à compra do primeiro deck de cartas – um cigano, conhecido por interpretações diretas. As primeiras tiragens foram feitas para amigas próximas – ainda sem cobrança – em um processo que se expandiu por indicações.
Hoje, os atendimentos, agora pagos, são realizados de forma online, por meio de áudios, mantendo a lógica digital que marcou o início do contato com o tarot.
Elisa comenta que o público que procura esse tipo de leitura é majoritariamente feminino e jovem, embora também alcance mulheres de outras idades. As perguntas mais recorrentes giram em torno de relações afetivas, especialmente na tentativa de compreender sentimentos, intenções e comportamentos de outras pessoas.
“Quase sempre volta para o outro”, afirma a taróloga, ao descrever o tipo de demanda que recebe.
A repetição das consultas, no entanto, pode transformar o tarot em um recurso constante de validação. A própria trajetória da taróloga inclui um período de consumo excessivo, marcado pela busca frequente por respostas.
“Durante anos eu tive vício em Tarot, me fazia muito mal. Precisei entender que as leituras não são uma sentença”, diz Elisa.




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