No Dia da Saúde e Nutrição, o “custo”  de comer bem desafia a conscientização no Brasil

Isabel Assis

Um estudo realizado pela Universidade de Cambridge prevê que em 2026 alimentos ultraprocessados devem se tornar mais baratos do que os in natura ou minimamente processados. Essa reflexão ganha destaque no dia 31 de março, quando se comemora o dia da saúde e nutrição.

 A comemoração surgiu por iniciativa do Ministério da Saúde para conscientizar a população sobre a importância de hábitos alimentares saudáveis, e seu impacto na qualidade de vida.

Porém, hoje, ter hábitos alimentares saudáveis, é visto como algo prejudicial ao bolso. De acordo com a nutricionista e professora universitária, Maria Rita Marques:

 “A indústria tem tirado proveito do aumento dos preços dos alimentos saudáveis para ocupar as prateleiras dos supermercados com alimentos mais baratos, mas prejudiciais à saúde.” , afirmou.

 A cultura do fast food

O Ministério da Saúde aponta que o Brasil passa por uma transição nutricional, marcada pelo aumento do consumo dos ultraprocessados. Tais alimentos estão associados ao crescimento das doenças crônicas como diabetes  e hipertensão. 

Neste cenário, a cultura do fast food tem opções como:

  • hambúrgueres
  • pizzas
  • nuggets 
  • batatas fritas 
  • macarrão instantâneo

Os alimentos in natura, entram em contrapartida desses, já que dependem de uma seleção e tempo de preparo maior. Para a nutricionista, isso influencia na percepção de que manter uma alimentação saudável exige mais dinheiro.

    (Exemplos de alimentos in natura/ Reprodução: Isabel Assis)

Conscientizar a população acerca da diferença dos alimentos ultraprocessados e in natura, se tornou um desafio. Segundo o médico Carlos Augusto Monteiro, em entrevista ao Opera Mundi, a base da alimentação não deve ser composta por produtos da indústria, crítica que dialoga com o avanço da cultura do fast food. Carlos também ressalta que esses alimentos ultraprocessados são formulados para o consumo excessivo. 

Para famílias de baixa renda, outro fator importante a se considerar é o tempo de preparo dos alimentos. A professora Maria Rita comenta que é muito mais rápido preparar um alimento ultraprocessado do que uma refeição repleta de nutrientes. 

Outras dificuldades 

Algumas regiões são chamadas de desertos alimentares, onde é difícil encontrar alimentos frescos. Em uma pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, MDS, 1 a cada 4 moradores de grandes capitais brasileiras têm dificuldade de acessar alimentos in natura.

(Reprodução: Isabel Assis)

Nesses lugares faltam mercados e feiras que oferecem alimentos frescos e naturais, fazendo com que a população precise percorrer alguns quilômetros para encontrá-los.

 Já outras possuem as características dos pântanos alimentares, lugares  onde há excesso de produtos ultraprocessados. Cerca de 15 milhões de brasileiros residem em pântanos alimentares, de acordo com o MDS. Tal combinação, contribui para a má alimentação de baixo custo.

Isso mostra a dependência de políticas públicas que enfatizem a educação alimentar nesse processo de conscientização. Visto que  a qualidade da alimentação pode trazer impactos importantes para a saúde a médio e longo prazo.

O incentivo à alimentação saudável

O Ministério da Saúde estuda formas de conscientizar a população sobre os benefícios de uma alimentação saudável. O guia alimentar para a população brasileira é uma iniciativa que enfatiza a importância de priorizar alimentos in natura em meio ao avanço dos alimentos processados. 

O dia da saúde e nutrição também é uma iniciativa que propõe a sociedade a pensar sobre o acesso à alimentação saudável. Comer bem não precisa ser sinônimo de gastar mais, mas exige uma reorganização de hábitos e escolhas conscientes que apoiem a população.

Entre a falta de acesso a alimentos frescos, a praticidade dos ultraprocessados e a rotina corrida, manter uma alimentação saudável ainda é um desafio para grande parte da população.

Enquanto isso, especialistas reforçam que ampliar o acesso à comida de qualidade e investir em informação são passos essenciais para mudar esse cenário. Afinal, mais do que uma escolha individual, comer bem ainda depende das condições que chegam à mesa do brasileiro.

Deixe uma resposta

Trending

Descubra mais sobre AGÊNCIA TRILHOS

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading