Entenda de que forma o esporte pode ser inclusivo e perpetuar barreiras sociais para os autistas
Ana Helena Masson Maiolino
Bruna Alexandre, do tênis de mesa, João Vitor Silva Ferreira, do Judô, e Igor Nogueira, do Jiu-Jistu. Esses são alguns exemplos de atletas brasileiros olímpicos que se unem por um diagnóstico: o autismo.
O dia 02 de abril foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo e tem como objetivo promover e proteger com igualdade, e em sua plenitude, todos os direitos e liberdades fundamentais de pessoas com essa deficiência.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficit na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas são autistas.
E o esporte?
A atividade física é benéfica e essencial para a vida saudável de todos os indivíduos. Pensando nisso, além dos benefícios gerais, o esporte auxilia pessoas autistas em aspectos específicos que envolvem o ganho de habilidades de vida diárias, principalmente no início do desenvolvimento infantil; melhorias no comportamento inibitório, no comportamento de atividades exclusivas e no comportamento motor, como o equilíbrio, comportamento de marcha, controle postural; e, diminuição de estereotipias, como as de crise.
Para Gabriella Andreeta Figueiredo, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e docente responsável pelo projeto MoviTEA, que proporciona o acesso ao esporte para jovens e crianças com TEA, é necessário pensar, primeiro, em proficiência motora, que é baixa nos casos de crianças com autismo e está associada, comumente, às dificuldades de estabelecer e entender as relações sociais e a comunicação.

Ela pontua: “quando uma criança com baixa proficiência motora vai fazer uma atividade esportiva, ela já tem menos chances de sucesso e, então, menos engajamento”. Por conseguinte, a democratização da prática esportiva é dificultada e uma barreira se forma. Além desta, a existência de outros empecilhos para a realização da atividade física por crianças autistas como os comportamentos específicos de comunicação e socialização podem ser citados e, para Gabriella, devem ser considerados como um conjunto.
Segundo dados de maio de 2025, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), uma em cada 31 crianças de oito anos foi diagnosticada com TEA. Os tratamentos mais conhecidos e direcionados para as crianças são atividades e terapias individuais. Gabriella percebe que quando essas crianças, em tratamentos individuais, são colocadas em situações coletivas, como as práticas esportivas, “existe uma dificuldade grande de transferência e isso cria mais uma barreira já que esses indivíduos ficam restritos a locais especializados”.
Para a professora, o ideal seria a mescla dos dois cenários – o individual e o coletivo. “Aqui na universidade, um dos nossos esforços é sair um pouco do foco da questão clínica e terapêutica e incorporar, independente do nível de suporte, a prática de atividade física e do esporte no desenvolvimento dessas crianças”, afirma.
A importância do Abril Azul
A cor azul, quando relacionada ao autismo, simboliza calma, tranquilidade e segurança. Em alguns casos, ela ajuda a lidar com a sobrecarga sensorial e o estresse visual presentes. Além disso, os estadunidenses criaram o movimento Light Up Blue (ou seja, iluminar de azul) que ilumina de azul, nos dias 02 de abril, alguns pontos turísticos ao redor do mundo, como o Cristo Redentor.

A docente conclui: “o abril azul, assim como outras emblemáticas formas de lembrar datas importantes, serve para lembrarmos que pessoas com autismo existem e que é nosso dever respeitá-las, entender as formas como elas interagem conosco e com a sociedade para que, realmente, a gente consiga ter boas relações e que as evoluções sejam agradáveis; é um momento para lembrarmos que as características são diversas e que o respeito é uma obrigação”.





Deixe uma resposta