ASCAM desenvolve ações de reaproveitamento e conscientização ambiental na cidade
Marina Longhitano

Celebrado em 30 de março, o Dia Internacional do Lixo Zero incentiva práticas sustentáveis, o fortalecimento da reciclagem e a redução de resíduos. A data chama a atenção para problemas que persistem em nível global. “Todos os anos, a humanidade gera entre 2,1 bilhões e 2,3 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Cerca de 2,7 bilhões de pessoas não têm acesso à coleta de lixo, sendo que 2 bilhões delas vivem em áreas rurais”, afirma a ONU-Habitat.
No cenário nacional, o descarte inadequado e os baixos índices de reciclagem seguem como desafio para a gestão de resíduos, segundo a Embrapa. Em Bauru, a coleta seletiva e a administração dos ecopontos são de responsabilidade da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (ASCAM), além da frente em ações de educação ambiental no município.
A bióloga Ana Letícia Terra, coordenadora em educação ambiental na ASCAM, explica que a forma com que o descarte é feito impacta o meio-ambiente. “Quando as pessoas misturam material reciclável e orgânico, esse material vai deixar de ser reciclado. Cada vez mais a gente vai ter que retirar mais matéria-prima da natureza”.
Além dessa coleta seletiva, os ecopontos também recebem materiais e concentram cerca de 70% dos resíduos coletados pela ASCAM, que somam entre 250 e 350 toneladas por mês. Distribuídos por Bauru, esses espaços recebem itens que algumas pessoas não sabem como descartar, como poda de plantas, móveis e pneus.
O que dificulta o avanço da reciclagem?
Entre os desafios para o avanço da reciclagem em Bauru, Ana Letícia destaca a necessidade de ampliar a educação ambiental e fortalecer o diálogo com os munícipes, para evitar a percepção de que o descarte correto é um favor à associação. ”Muitas vezes eles são muito rudes com as pessoas e é muito difícil conseguir fazer esse meio de campo”, conta.
Outro ponto levantado é a atuação de catadores autônomos, os “atravessadores”, que recolhem materiais recicláveis antes da coleta oficial da ASCAM. Com isso, menos material é encaminhado às cooperativas associadas, que são responsáveis pela venda de recicláveis, o que afeta a renda dessas organizações.
Para a ASCAM, ainda há desafios a serem enfrentados, como o caso de materiais que não podem ser reciclados por combinarem diferentes componentes e serem muito leves. Nesse cenário, a ampliação da educação ambiental, o incentivo à separação correta dos resíduos e a valorização do trabalho das cooperativas aparecem como caminhos para avançar na redução de resíduos proposta pelo Dia Internacional do Lixo Zero.





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