Câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer
mais incidente entre mulheres
, segundo o INCA

Sofia Caldas

No último sábado (28), todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF) ficaram abertas das 8h às 17h. O motivo foi uma ação promovida pela prefeitura de Bauru, por meio da Secretaria de Saúde, que tinha como objetivo o cuidado com a saúde da mulher. 

A prefeitura ofereceu exames e atendimentos sem agendamento prévio. Era possível realizar papanicolaou, avaliação das mamas e solicitação de mamografia, além de atendimento e orientação odontológica.

Paralelamente, também ocorria o Dia D da vacinação contra influenza e demais imunizantes do calendário de vacinação. 

A ação encerra o “Março Lilás”, mês dedicado à campanha de conscientização e prevenção ao câncer de colo de útero, mas que envolve toda a saúde da mulher.

De acordo com Talita de Azevedo, enfermeira supervisora da UBS centro, o momento é de avaliação ampla da mulher, realizando análise clínica, exame físico e orientação sobre quaisquer queixas da paciente. 

“A gente aproveita para fazer todo um check-up […] e ouvir essa mulher também nas suas questões de corpo”, afirma

Além disso, Talita ainda aponta para a importância da realização das políticas públicas de conscientização, que não se resumem ao número de pessoas atendidas no dia das ações.

“A divulgação das campanhas mobiliza e chama a atenção para que as pessoas venham e se cuidem, ou pelo menos pensem a respeito – quem tem algum receio de vir – para a importância da prevenção à doença”

O que é o câncer no colo de útero

Também conhecido como câncer cervical, é caracterizado pela multiplicação anormal de células no colo do útero. 

Este câncer é provocado, em 90% dos casos, pela infecção persistente de certos tipos de papilomavírus humano (HPV), que são transmitidos, principalmente, por meio de relações sexuais.

Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das pessoas entra em contato com o vírus ao longo da vida, mas este é eliminado pelo organismo. Apesar disso, algumas lesões causadas pelo HPV, se não tratadas, podem evoluir para câncer. 

Dados da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) mostram que a doença tem grande incidência na América Latina. Em 2022, mais de 78 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer do colo do útero e mais de 40 mil morreram devido a esta doença na Região das Américas. 

(Imagem: Hospital Albert Einstein)

Prevenção

O câncer de colo de útero é uma doença evitável e em 2019 uma estratégia global para acelerar a eliminação da doença no mundo, com metas para o período de 2002 e 2030 foi elaborada pela Organização Mundial da Saúde. 

Atualmente, a vacina contra o HPV é a maneira mais eficaz de prevenção do câncer cervical. Além dela, o exame preventivo também é uma forma de cuidado. 

🎥 Câncer do colo do útero: como podemos nos proteger?

Vacinação

Disponível no Sistema único de Saúde (SUS), a vacina quadrivalente protege contra os subtipos mais frequentes de HPV (6, 11, 16 e 18) e é fornecida em dose única. 

 Quem pode se vacinar 

  • Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos – dose única
  • Pessoas imunodeprimidas (pessoas vivendo com HIV ou aids, transplantados e pacientes oncológicos) – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
  • Vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos – 2 doses (0 e 6 meses).
  • Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir de 2 anos de idade – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
  • Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir de 2 anos de idade – 3 doses (0, 2 e 6 meses).

Até junho de 2026, jovens de 15 a 19 anos também podem se vacinar gratuitamente pelo SUS. A medida faz parte de uma campanha do Ministério da Saúde que busca ampliar a cobertura vacinal para aqueles que perderam a dose na infância. 

Exame preventivo 

Popularmente chamado de papanicolau, o exame citopatológico é o mais comum para a prevenção do câncer de colo de útero.

O procedimento detecta alterações nas células da região, podendo localizar lesões pré-cancerosas (que podem ser tratadas antes de se tornarem tumores) e cânceres, mesmo que ainda sem sinais ou sintomas sugestivos. 

Quem deve realizar o exame e com qual frequência? 

  •  Devem realizar o exame mulheres de 25 a 64 anos que iniciaram atividade sexual. 
  •  O exame deve ser feito a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos normais. 

O papanicolau pode ser agendado, pessoalmente, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). 

(Imagens: INCA – Instituto Nacional de Câncer)

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