Manifestação reuniu discentes no campus para reivindicar melhorias no Restaurante Universitário e nos auxílios financeiros

Guilherme Barbeito

Estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, realizaram na última quinta-feira (26) um ato em defesa de mudanças nas políticas de permanência estudantil, com foco no aumento do número de refeições oferecidas pelo Restaurante Universitário (RU) e na ampliação de auxílios aos alunos.

A ação reuniu estudantes de diferentes cursos e foi organizada por coletivos estudantis em parceria com o Diretório Acadêmico “Helenira de Rezende”. A mobilização incluiu confecção de cartazes, caminhada pelo campus e entrada em massa no RU, além de reuniões com representantes da gestão administrativa.

Alunos mostram cartazes em protesto na Unesp Bauru. Foto: Guilherme Barbeito

O protesto

Por volta das 11h, estudantes começaram a se mobilizar nas salas 50’s para a produção de cartazes com frases como “Quem tem fome, tem pressa”, “Não existe estudo com fome”, “Auxílio não é esmola” e muitos outros pedindo melhorias na permanência, além de críticas ao governador Tarcísio de Freitas.

Quando a manifestação juntou um número maior de pessoas, os estudantes se encaminharam para frente do prédio da Administração Geral (AG), com o objetivo de dialogar com o Prof. Dr. José Remo Ferreira Brega, presidente do Grupo Administrativo do Campus (GAC). O docente não estava presente no momento, então o protesto se encaminhou para o RU.

No restaurante, os estudantes promoveram um “entraço”, onde dezenas de alunos almoçaram de forma gratuita. Uma Comissão de Segurança foi montada para dialogar com os servidores responsáveis pelo RU, de forma que o protesto acontecesse de forma pacífica.

Após o almoço, os estudantes retornaram para a AG e conversaram com o professor José Remo. Foram levantadas questões acerca do número de refeições, vagas na moradia estudantil e sobre o auxílio permanência. Por conta da agenda do presidente do GAC, foi marcada uma conversa ao final da tarde na qual os alunos puderam detalhar as suas reivindicações.

Por fim, foi realizada uma roda de conversa do Conselho Universitário da Unesp Bauru (CEUB), na qual estudantes de diversos cursos puderam emitir seus pontos de vista e propor ações de mobilização.

Estudantes se mobilizam em frente ao Restaurante Universitário.
Foto: Guilherme Barbeito/Agência Trilhos

Posicionamento da Unesp

Em resposta às reivindicações apresentadas pelos estudantes, o presidente do Grupo Administrativo do Campus (GAC), Prof. Dr. José Remo Ferreira Brega, afirmou em entrevista que a universidade reconhece a importância das pautas relacionadas à permanência estudantil e destacou que parte das decisões envolvendo o RU não são definidas pela gestão local.

Segundo ele, o campus atua sobretudo como executor das diretrizes estabelecidas por instâncias superiores da Unesp, o que limita decisões imediatas sobre ampliação de políticas ou mudanças estruturais no funcionamento do restaurante.

Dados do Relatório de Visita Técnica da Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CSANS) apontam que o RU de Bauru atende uma comunidade de cerca de 7 mil estudantes e mais de 8 mil pessoas no total, considerando servidores e demais usuários do campus. Atualmente, são oferecidas 1.500 refeições subsidiadas por dia, sendo 800 almoços e 700 jantares, ao custo de R$2,50 por refeição .

Sobre o pedido dos estudantes para aumentar a oferta diária para 2 mil refeições, Remo afirmou que a ampliação depende de comprovação técnica de demanda e de condições operacionais. Ele explicou que a unidade precisa demonstrar, por meio de dados, a necessidade contínua da expansão antes de alterações contratuais.

Saiba mais

O relatório da CSANS indica que o restaurante já passou por crescimento significativo nos últimos anos: em 2022 eram servidas cerca de 460 refeições diárias, número que foi ampliado de forma progressiva até alcançar o volume atual de 1500 refeições diárias. Apesar disso, o documento reconhece que a demanda segue elevada e recomenda avaliação futura para ampliação gradual da oferta.

Em relação ao orçamento, Brega informou que o RU integra a política institucional de permanência estudantil, que mantém recursos destinados à alimentação subsidiada mesmo diante das restrições financeiras enfrentadas pela universidade nos últimos anos. O relatório registra que o campus utilizou mais de R$3,2 milhões em recursos vinculados à segurança alimentar e nutricional em 2025 .

Outro ponto abordado foi o modelo de gestão do restaurante, operado por meio de parceria com uma Organização da Sociedade Civil (OSC), a Seara Norte. Segundo o documento, esse formato foi adotado após dificuldades com contratos terceirizados anteriores e permitiu ampliar a oferta de refeições e manter preços subsidiados aos estudantes .

Sobre os auxílios de permanência, Remo afirmou que não há falta de recursos financeiros, mas atrasos relacionados ao processo de análise socioeconômica, que envolve entrevistas e verificação documental. Ele reconheceu que a equipe responsável é reduzida, fator que contribui para a demora na liberação dos benefícios.

O relatório da CSANS também aponta a necessidade de ampliar a estrutura técnica do campus, incluindo a contratação de nutricionista concursado e o fortalecimento das equipes de acompanhamento das políticas alimentares .

Ao comentar as mobilizações estudantis, o presidente do GAC avaliou que as manifestações fazem parte do ambiente universitário e podem contribuir para melhorias institucionais. Segundo ele, o diálogo com os estudantes é essencial para identificar demandas e aperfeiçoar as políticas existentes.

Alunos protestam em frente ao prédio da AG.
Foto: Guilherme Barbeito/ Agência Trilhos

A administração do campus indicou que novas conversas com representantes estudantis devem ocorrer para discutir possíveis ajustes no funcionamento do restaurante e buscar alternativas dentro das limitações administrativas.

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