Entre estética e bem-estar, o mercado de academias cresce no país e reflete mudanças de hábito da população
Por Maria Clara Coelho

Ir à academia deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de muitos brasileiros. Nos últimos anos, o setor fitness cresceu de forma acelerada, diante de mudanças no comportamento da população e a maior valorização da prática de exercícios físicos.
Dados do Panorama Setorial Fitness Brasil 2024, produzido pela Fitness Brasil em parceria com a Ernst & Young e a Armatore Market + Science, indicam que a quantidade de centros de atividades físicas praticamente triplicou ao longo de dez anos, de 19.266 unidades em 2014 para 56.833 em 2024.
Para o profissional de Educação Física Guilherme Fazzio, supervisor da academia Bluefit em Bauru, o avanço do setor está diretamente ligado ao acesso à informação e à popularização do universo fitness. “Hoje, pela facilidade de acesso à informação, o consumo desse segmento é muito maior”, afirma.
Segundo ele, o crescimento ganhou força especialmente no período pós-pandemia, quando houve uma maior preocupação com a saúde. “As pessoas passaram a buscar uma vida mais saudável por meio da atividade física”, explica.
Influência das redes sociais impulsiona busca pelo “corpo ideal”
Esse movimento também aparece entre os mais jovens, que passaram a se preocupar mais com o próprio corpo devido ao crescimento dos conteúdos sobre atividade física na internet.

Ao se compararem com o que veem nas telas, as pessoas passam a julgar a própria aparência de forma diferente. “A busca pelo corpo ideal está muito ligada ao que é consumido nas redes sociais. Os influenciadores servem como referência para grande parte das pessoas”, diz.
Apesar do aumento da preocupação com a saúde, a estética ainda é o principal fator que leva novos alunos às academias. “A maioria das pessoas começa a treinar por estética, mesmo que exista também a questão da saúde”, afirma o profissional.
Ao longo dos anos, a relação com o corpo e os exercícios físicos ganhou outro sentido. Para além da saúde e da estética, a atividade física hoje comunica como desejamos ser vistos. “O corpo passou a representar identidade, estilo de vida e até posicionamento social”, avalia.
O público das academias está mais variado, mas o desejo por mudanças visíveis continua sendo o principal motor. “Muitos buscam o emagrecimento e o ganho de massa para elevar a autoestima, influenciados pelo que consomem no ambiente digital”, explica.
Pressa por resultados muda comportamento nas academias
Além do volume de alunos, a mentalidade de quem treina mudou. A busca pela transformação estética agora vem acompanhada de pressa. Segundo o especialista, a paciência com treinos longos diminuiu, enquanto a exigência subiu. “Se o resultado demora ou o serviço não agrada, a troca de estabelecimento acontece de forma imediata”, explica.
O crescimento de quase 200% no número de estabelecimentos em dez anos reflete a convergência entre o impacto comportamental do período pós-pandemia e a influência estética das redes sociais na decisão de consumo.
Nesse cenário, o setor se adapta a um público diversificado que, embora priorize a estética e busque resultados imediatos, insere a atividade física em um contexto de identidade e estilo de vida.





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