Segundo levantamento, 47% dos brasileiros se consideravam leitores em 2024; em comparação com 2015, o percentual era de 56%

Maria Clara Alves

Abril simboliza um mês com datas significativas para o campo da literatura nacional e internacional. Hoje (2), é celebrado o Dia Internacional do Livro Infanto-juvenil,  instituído em homenagem ao aniversário do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, conhecido pela autoria de contos infantis como “A Pequena Sereia” e “O Patinho Feio”.

No Brasil, crianças de até 13 anos têm maior percentual de leitura em comparação com pessoas de outras faixas etárias, de acordo com a 6ª edição da Pesquisa: Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) e o Ministério da Cultura.

A região Sudeste é a maior em número absoluto de pessoas leitoras, abarcando cerca de 39,3 milhões (Foto: Maria Clara Alves).

A consulta reuniu 5.504 entrevistados com 5 anos de idade ou mais, alfabetizados ou não, de 208 municípios da Federação. Os dados obtidos expuseram que, em comparação com os resultados de anos anteriores, os índices de leitura e pessoas leitoras têm diminuído no Brasil, ligados a fatores socioeconômicos e o acesso instantâneo à informação.

Neste contexto, o Retrato também revelou que pessoas de 14 a 29 anos escolhem suas leituras com base na afinidade que eles possuem com o assunto e as realizam em plataformas como o Instagram e o Facebook.

Os entrevistados ainda afirmaram que, quando não leem, passam a maior parte do tempo livre usando a internet (78%), o WhatsApp ou Telegram (71%). Atividades cognitivas como escrever, praticar esportes ou realizar trabalhos manuais possuem percentuais na casa dos 41%, 25% e 14%, respectivamente.

Para pessoas como Júlia Paes, a leitura “é tudo, praticamente. Boa parte de quem sou hoje é graças ao que eu li”. Leitora antes mesmo de se conhecer por gente, a jornalista destaca a importância do apoio familiar: “minha mãe foi professora e ela sempre me incentivou. Comecei aos poucos, com gibis, e fui pegando livros maiores na biblioteca da minha cidade”.

Apesar da queda, a penetração dos hábitos de leitura tende a ser maior entre crianças
(Foto: Maria Clara Alves).

Assim como Júlia, Isabella Cassiano comenta que “toda leitura é válida, e com o tempo você praticamente aprende a absorver outros estilos”. A estudante ainda salienta que “você não vai se jeito nenhum passar anos lendo apenas uma coisa e acaba se interessando por uma escrita mais robusta e, às vezes, até mais poética do que você gostava há alguns anos”.

Entre os benefícios de ler, estão a redução do estresse e a melhora da saúde mental e do funcionamento cerebral. Com a mudança nas formas de consumo, Diego Figueiredo, mestre em computação cognitiva, chama a leitura de ‘fidigital’, marcada pela fusão entre os formatos físico e digital, quando prender a atenção de quem lê se torna mais complexo.

“Tento fazer o esforço de ler pelo menos um pouco, nem que sejam 5 ou 10 páginas ou de 5 a 10 minutinhos por dia, sempre dando um jeito de encaixar na minha agenda”, complementa Júlia.

Pensadas com a finalidade de reconhecer o alcance dos livros na formação de um indivíduo e atrair mais visibilidade para a prática, o Brasil possui outras datas de celebração literária no mês de abril: no dia 18, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil; no 23, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais.

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