Data foi criada em homenagem ao palhaço Piolin, um dos principais nomes da história do espetáculo no Brasil
Raul de Lara
A agenda cultural de Bauru em abril destaca duas companhias circenses. O Circo Maximus iniciou as apresentações no dia 27 de março, data em que se comemora o Dia do Circo no Brasil, e o Circo dos Sonhos tem estreia prevista para 10 de abril.
O Circo Maximus, considerado um dos principais da América Latina, está com estrutura montada na Rua Prof. Antônio Réis Filho, próxima à Praça do Avião. A programação em Bauru prevê sessões diárias às 20h, com exceção das quartas-feiras, quando não há apresentações. Aos sábados e domingos, o público conta com duas sessões, às 18h e às 20h.
Criado há 25 anos, o circo já passou por mais de 500 cidades em todos os estados do Brasil. O espetáculo tem duração aproximada de 1h40min e reúne números de ilusionismo, trapézio e contorcionismo, além do globo da morte com cinco motociclistas.

Já o Circo dos Sonhos apresenta em Bauru o espetáculo “No Mundo da Fantasia”, que mistura teatro musical com a tradição circense. As apresentações acontecerão no Boulevard Shopping Bauru, a partir de 10 de abril.
As sessões estão programadas de terça a sexta-feira, às 20h, e aos sábados e domingos em três horários: 16h, 18h e 20h. Com mais de 30 anos de experiência no setor circense, o Circo dos Sonhos já recebeu mais de 2,8 milhões de espectadores.
O espetáculo tem duração aproximada de 100 minutos e é conduzido por trilha sonora e narrativa de musical, com números de acrobatas, contorcionistas e bailarinos.

A história do circo e o significado da data
O Dia do Circo é celebrado em 27 de março, data de nascimento de Abelardo Pinto, o palhaço Piolin, que marcou a história das artes circenses no país na década de 1920.

A prática circense, no entanto, é muito mais antiga. Registros apontam que povos da Antiguidade, como os gregos, já realizavam apresentações voltadas ao entretenimento.
Na Roma Antiga, no espaço conhecido como “Circus Maximus”, aconteciam corridas de cavalos, caçadas de animais e lutas de gladiadores, reunindo diferentes formas de espetáculo público.
O modelo de circo mais próximo do atual começou a se formar na Inglaterra, em meados do século XVIII. O responsável foi o ex-militar Philip Astley, que criou em Londres o “Royal Amphitheatre of Arts”, com apresentações equestres, acrobacias e números de malabarismo.
Como funciona um circo itinerante?
Antes de chegar ao público, o circo passa pelo processo de definição das rotas. O planejamento envolve cidades de uma mesma região, mas o trajeto nem sempre se mantém inalterado ao longo do caminho. “Fazemos uma rota para onde o circo vai, mas às vezes temos que mudar, pois pode ter outro circo na mesma rota ou podemos ter dificuldades de conseguir áreas ou liberação das prefeituras”, explicou Henrique Ribeiro, do Ribeiro Circo.
Depois da chegada, o funcionamento se estende ao longo de todo o dia. A rotina começa antes das apresentações e envolve diferentes etapas de organização e preparação. “São muitas pessoas, cada uma com sua função tanto nas apresentações, quanto no dia a dia, com montagem e desmontagem. O circo está o dia todo em funcionamento deixando tudo pronto para o espetáculo da noite”, relatou Welma Noberto, integrante de uma família de quarta geração circense e atualmente no Star Circus.
Assim como no Star Circus, a divisão de tarefas no Ribeiro Circo também acontece dentro de equipes reduzidas, com acúmulo de funções ao longo do dia. “Aqui somos em 22 pessoas entre adultos e crianças, temos que nos virar nos trinta para dar conta, pois temos que fazer de tudo um pouco. Temos que montar, dar manutenção no circo e à noite somos os artistas”, disse Henrique.
O modelo itinerante também influencia diretamente o formato dos espetáculos. A programação costuma seguir uma base estruturada por temporada, com números definidos previamente e ajustes pontuais conforme a cidade. “Geralmente temos os espetáculos prontos todos os dias, às vezes ocorrendo mudanças caso haja uma apresentação específica anunciada no dia”, explicou Welma.

Custos e falta de espaço dificultam atividade
A manutenção de um circo itinerante envolve impasses que vão além da organização do espetáculo e impactam diretamente a permanência das companhias nas cidades.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a população circense itinerante no Brasil soma mais de 20 mil pessoas, distribuídas em cerca de 800 circos. O órgão também aponta dificuldades de acesso a serviços básicos, como saúde, educação e assistência social, além de desafios relacionados ao deslocamento constante.
Na prática, essa realidade aparece no dia a dia das companhias. Henrique Ribeiro afirma que os custos e a falta de estrutura estão entre os principais obstáculos. “A dificuldade hoje é grande, pagamos taxas altas em alguns lugares, aluguéis caros de áreas particulares e não temos quase nenhum apoio dos órgãos públicos”, disse.
Welma Noberto aponta complicações principalmente na busca por espaço nas cidades. “Geralmente a maior dificuldade é a falta de terrenos disponíveis”, afirmou. Segundo ela, os custos se acumulam em diferentes frentes. “O circo tem muitos custos em geral: manutenção diária, tendas e combustível. No fim nunca é um só gasto e sim um combo.”

Mesmo diante das adversidades, a atividade se mantém pela relação com o público. “No fim vale a pena sempre ver o sorriso das pessoas nos assistindo, independentemente das dificuldades”, concluiu Welma.
Em março de 2026, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou o Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do Brasil, destacando a transmissão de saberes entre gerações e a organização do trabalho em núcleos familiares.
Apesar dos custos, do deslocamento e da falta de estrutura, a tradição circense segue presente no país, e os picadeiros se mantêm como espaços de alegria em meio às dificuldades.
Serviço
Circo Maximus
Local: Rua Prof. Antônio Réis Filho (próximo à Praça do Avião)
Período: de 27 de março a 12 de abril
Horários: diariamente às 20h (exceto quartas); sábados e domingos às 18h e 20h
Circo dos Sonhos
Local: Boulevard Shopping Bauru
Período: de 10 de abril a 10 de maio
Horários: terça a sexta às 20h; sábados e domingos às 16h, 18h e 20h





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