Nova temporada terá Francesca como protagonista e retoma debates sobre adaptação e representatividade entre fãs

Fernanda Sampaio

A Netflix divulgou na terça-feira, 24/03, o teaser da nova temporada de Bridgerton, confirmando Francesca (Hannah Dodd) como protagonista da próxima fase da série. A prévia também indica mudanças na adaptação da obra original, ao confirmar Michaela (Masali Baduza) como par romântico da protagonista e alterar a ordem narrativa dos livros.

O anúncio repercutiu nas redes sociais e reacendeu discussões sobre a adaptação, especialmente pela mudança de gênero do personagem Michael para Michaela. Esta é a primeira vez que a série Bridgerton terá um casal protagonista fazendo parte da comunidade LGBTQIAPN+.  Ainda sem data de estreia, é esperado que a história esteja disponível na Netflix até 2028.

Confira o teaser aqui.

Mudança na adaptação já havia sido anunciada anteriormente

O protagonismo do casal queer não é novidade para os fãs da série. A mudança de gênero do par romântico de Francesca, originalmente chamado Michael nos livros, já havia sido introduzida na adaptação desde a terceira temporada. O novo teaser reforça essa escolha ao confirmar Michaela como par romântico da personagem.

Nos livros da série Bridgerton, a história de Francesca é desenvolvida apenas no sexto volume (O Conde Enfeitiçado). A adaptação, no entanto, adotou alterações na ordem e na construção dos enredos, reorganizando a sequência das histórias em relação à obra original, adiantando a narrativa da personagem para a quinta temporada. 

Para Cris Siqueira, influenciadora com foco em adaptações, adiantar a temporada de Francesca foi estratégia da produção para manter o engajamento dos fãs. “Como tem muita gente rejeitando essa história, faz sentido trazer agora e manter o interesse do público para as próximas temporadas”, afirma.

Reações nas redes sociais dividem opiniões

O anúncio da confirmação oficial do novo casal protagonista de Bridgerton gerou diferentes opiniões dos fãs.  Desde a primeira aparição de Michaela na terceira temporada da série, como uma suspeita de potencial par romântico de Francesca, parte do público demonstrou não ter gostado da adaptação, e principalmente, da troca de gênero do personagem que nos livros é um homem. 

Caroline Omori, criadora de conteúdo sobre séries e livros, percebeu que a mudança já não estava sendo bem aceita desde o começo.

“Não só com o anúncio da nova temporada, mas desde a terceira, quando ficou claro que o Michael seria substituído pela Michaela, as reações já vinham sendo bem extremas.”

Segundo ela, parte da insatisfação está relacionada à expectativa dos fãs em relação à obra original. “Os fãs que tinham expectativa com a história da Francesca perceberam que provavelmente não veriam a mesma narrativa que estavam esperando”, explica.

 As discussões dos internautas sobre a mudança, abriram espaço para debates sobre a representatividade LGBTQIAPN+ na série. Ambientada em um universo fictício, Bridgerton apresenta uma releitura do período histórico ao retratar diferentes realidades na construção de seus personagens e narrativas.

A inclusão de um casal queer se soma a outras mudanças adotadas pela adaptação, ampliando as possibilidades em relação ao período retratado e à obra original. Além disso, essa não é a primeira vez que a produção da série opta por mudar características importantes dos personagens como gênero, sexualidade e raça. 

“Às vezes, mudar estruturas já conhecidas é justamente o que permite incluir novos públicos. Porque o público de Bridgerton não é 100% hétero existe uma parcela grande que também quer se ver representada na história que consome”, complementa Caroline.

Benedict Bridgerton, protagonista da quarta temporada, lançada em 2026, já vinha sendo construído de forma diferente da obra original. Na adaptação, o personagem vive diferentes experiências amorosas e é pansexual. A mudança não causou tanta revolta e discussão quanto a mudança de gênero do par romântico de Francesca.

“Quando você troca o gênero ou a opção sexual de um personagem originalmente homem, hétero, existe uma resistência, mas é mais bem aceito do que quando é uma mulher”, comenta Cris. 

Apesar de parte da repercussão do público ter sido negativa, a produção não tem dúvidas sobre o protagonismo do casal e da troca de Michael para Michaela. A própria autora dos livros, Julia Quinn, já expressou aprovação em relação às mudanças em suas redes sociais, como neste post:

acesse aqui.

“Muitos fãs de Bridgerton expressaram sua surpresa e, para alguns, desapontamento em relação à reviravolta no final da terceira temporada. Qualquer pessoa que leu qualquer entrevista minha nos últimos anos sabe que estou profundamente comprometida com a ideia de fazer de Bridgerton um universo mais inclusivo e diverso conforme os livros são adaptados para a tela.”

Audiência

A série Bridgerton é um dos carros-chefe da Netflix, e com o lançamento mais recente da quarta temporada, quebrou recordes de audiência, atingindo um pico de 230 vezes maior do que a média de uma série nos Estados Unidos, segundo O Antagonista. Mesmo com rejeição, Cris acredita que a audiência dificilmente vai diminuir.

“Eu acho que na fofoca, escondidos em casa, muitos vão assistir. A maioria não vai conseguir boicotar. Em termos de números, talvez caia um pouquinho, talvez aumente, porque pode ser que a própria militância pró-público LGBT reforce o play, assista milhões de vezes e chame toda a comunidade para assistir, só porque existe esse protagonismo sendo feito aqui”, comenta. 

Com a quinta temporada já em produção pela Netflix, a expectativa é que a história do casal esteja disponível no começo de 2028, mas o lançamento ainda não tem data de estreia. 

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