Isabela Oshiro, Marina Longhitano, Melissa Inoue e Mirela Zinsly

O primeiro caso de sucesso de um transplante de órgãos foi nos Estados Unidos, em 1954. No Brasil, o primeiro transplante de órgão ocorreu dez anos depois, no Rio de Janeiro, no qual um paciente de 18 anos recebeu um rim.

E, até hoje, a paciente brasileira mais jovem a receber um órgão foi uma menina de quatro anos, que recebeu um transplante de pulmão. No dia 27 de setembro é comemorado o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos.

Podem ser doados: sangue, medula óssea, intestino, rins, córneas, fígado, coração, pâncreas e pulmão. Alguns podem ser doados em vida, como fígado, sangue e medula, enquanto os outros são reaproveitados após o falecimento de um paciente. Um doador pode beneficiar até oito pessoas, segundo o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), são as chamadas doações múltiplas.

Após a declaração de morte cerebral de um paciente, os familiares são notificados e a doação dos órgãos é imediatamente discutida, esclarecendo os processos e eventuais dúvidas. O tempo é sensível quando se trata da retirada e do transporte dos órgãos. Confira na imagem abaixo o tempo ideal para cada transplante:

Isabela Oshiro/Agência Trilhos.

A córnea é um caso especial, pois é o procedimento mais realizado no país por não exigir compatibilidade sanguínea e um doador pode beneficiar até duas pessoas. Além disso, elas podem ser retiradas após a morte por parada cardíaca e não depende da morte encefálica.

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Dados do Brasil

A Agência Pública coletou dados sobre a doação de órgãos em todos os estados brasileiros. O Brasil realizou 528.255 transplantes entre 2001 e 2025. De acordo com o SNT, o número de transplantes cresceu no geral no país, mas de forma desigual entre as regiões. São Paulo é o estado que mais realiza doações, só em 2025 foram 8.921 casos.

Roraima e Amapá não realizam transplantes, e o estado com menor número de casos em 2025 foi o Acre, com 46 cirurgias. Roraima e Tocantins foram os que mais registraram casos de recusa familiar para a doação de órgãos do paciente.

Em janeiro de 2026, estes eram os números de pessoas na fila do transplante de cada órgão:

Desafios da Doação

Desde os anos 2000, a doação de órgãos só ocorre com autorização da família. Mesmo que o paciente se declare doador por documentos oficiais, a decisão final cabe ao familiar mais próximo.

A recusa familiar é um dos principais impedimentos da doação e pode ser causada por medo de deformações no corpo do falecido (para o velório), desconfiança de que o órgão seja traficado, motivos religiosos ou até desinformação sobre os procedimentos. Os dados sobre recusa familiar começaram a ser coletados em 2013. Somente em 2025, foram 45 casos recusados em todo o país.

Existem projetos de lei que retomam a ideia do consentimento presumido para doação de órgãos e tecidos após a morte, como o Projeto de Lei 4.679/2025 e o Projeto de Lei 3.176/2019.

A pandemia também causou uma queda no número de doações, pois sobrecarregou os sistemas de atendimento de saúde e os fluxos hospitalares. Além disso, até 2020, existia o preconceito com homens LGBTQIAPN+, que eram impedidos de doar sangue.

Foi só em maio do mesmo ano que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais dispositivos de normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que excluíam como habilitados para doação de sangue os “homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes nos 12 meses antecedentes”.

O Sangue

A doação de sangue pode ser realizada a cada 60 dias para homens e a cada 90 dias para mulheres. Para doar pela primeira vez é necessário ter boas condições de saúde, pesar ao menos 50kg, ter entre 18 e 69 anos e apresentar um documento oficial com foto. Adolescentes maiores de 16 anos podem doar com autorização dos responsáveis. As doações são coletadas nos hemocentros após testes de triagem.

Leia mais em: Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado em junho – AGÊNCIA TRILHOS

A Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho e que entra em vigor em 30 de setembro, altera alguns pré-requisitos para ser doador e reforça a segurança dos procedimentos. Agora deixa de existir idade máxima para doadores regulares, que poderão continuar doando sangue mesmo após completar 70 anos (desde que respeite os intervalos para a faixa etária).

Os prazos de espera também foram alterados. Para quem passou por endoscopia ou utilizou anabolizantes sem prescrição médica, o prazo cai de seis para quatro meses. E no caso de tatuagem, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos, a doação poderá ser realizada após sete dias, desde que realizado em local que cumpra as normas de segurança. Quando essa avaliação não for possível, o prazo será de quatro meses.

Houve também o aumento de segurança para quem recebe o sangue. O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a implantar de forma obrigatória o teste de malária em 100% dos exames de triagem, com o teste NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz.

“Eu faço realmente por amor”

O ato de doar sangue envolve mais que procedimentos técnicos e avaliações de triagem, existe uma condição que não depende da Ciência. A escolha de uma pessoa em ajudar outra com uma parte de si é o ponto de partida para a transfusão sanguínea e o transplante de órgãos. 

Para Paulo Cezar Pereira de Souza, de 52 anos, a decisão partiu de uma experiência pessoal vivida no hospital, quando o filho André, aos 4 anos, ficou internado por 30 dias. Entre o sofrimento como pai e a rotina moldada pelas visitas ao hospital, Paulo conta que se emocionava com os casos que ali conhecia. Nesse cenário angustiante, ele passou a enxergar a vida de outra forma e decidiu que precisava fazer algo para ajudar, e por que não doar sangue?

Ainda em São Paulo, ele fez algumas doações, mas não tinha facilidade para manter frequência, já que morava longe do hemocentro e a rotina de trabalho era pesada. Anos depois, ainda tocado pelo que viveu nos dias de internação do filho, a família se mudou para Bauru e o Hemonúcleo se tornou destino habitual. 

“Foi entre a doação por aférese e a de sangue que veio esse número de maior doador de Bauru”, conta Paulo, que desde 2012 já salvou cerca de 350 vidas e doou sangue 88 vezes. Hoje, realiza as doações a cada 40 ou 50 dias, também é doador de órgãos e está cadastrado no REDOME, o Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea.

Em agosto de 2026, o posto de doador número um da cidade rendeu uma Moção de Aplausos na Câmara Municipal de Bauru para Paulo, pelos vereadores Junior Lokadora, Estela Almagro e Junior Rodrigues. Parte da cerimônia está disponível no Instagram, e a versão completa está no canal da TV Câmara de Bauru, no YouTube

(FOTO: Reprodução/Instagram)

A rotina como voluntário não é uma obrigação nem um peso para o doador, que continua retornando ao Hemonúcleo de Bauru por vontade própria, “eu faço realmente por amor”, afirma. A frase resume a mudança de vida que começou no hospital com o filho doente e que agora salva pais e filhos de famílias desconhecidas. 

A dimensão desse gesto ficou ainda mais clara em uma das doações de plaquetas. Paulo soube que parte daquele material era destinado ao Hospital Estadual de Bauru e aos pacientes oncológicos dali. “Eu comecei a entender e falei ‘gente, que maravilha.’ Podem acontecer situações em que a pessoa faz quimioterapia, passa mal, as plaquetas baixam e eu tô ali doando”, reflete. 

Esse olhar ampliou sua disposição para outras formas de doação, Paulo diz que há tanto para ser feito em vida ou não, que “se alguma coisa acontecer comigo, eu preciso doar meus órgãos”, afirma. A esposa e os filhos sabem dessa decisão, uma comunicação essencial para que o desejo do possível doador seja reconhecido e o procedimento seja autorizado pelos familiares.

Para Paulo, ‘humanidade’ é a palavra que resume suas ações. Ele defende que o olhar amoroso é fundamental para começar uma mudança de vida e compreender a situação de quem aguarda o tratamento. “O segredo é você nunca olhar para a agulha, nunca”, deixa como dica para futuros doadores e garante que olhar as situações com mais atenção faz perceber que sempre há uma forma de ajudar alguém a viver. 


Confira outras informações sobre doação de órgãos e tecidos no Instagram @trilhosjornalismo


A Espera e a Esperança

De um lado, Paulo doa sem saber a quem, enquanto do outro, em Bauru há quem espera na fila de transplante. Marcos Shimamura, de 44 anos, aguarda um transplante de rim e diz que receber o diagnóstico foi uma sensação mista. Havia incerteza do que iria acontecer, mas descobrir que o transplante seria uma possibilidade de tratamento trouxe esperança. 

Antes de entrar na fila, em julho de 2026, Marcos precisou passar pela perda da função renal e hemodiálise, que são realizadas três vezes por semana. Essa condição mudou sua rotina e horários de trabalho precisaram ser ajustados e os dias foram reorganizados para seguir com o tratamento. Diante da dificuldade de depender de um órgão para ter qualidade de vida, “ter esperança é o que sustenta a incerteza da espera”, declara. 

Ao lado dele, Natália Shimamura acompanha o processo de perto. A espera não é apenas do paciente, o processo é difícil para toda a família, mas a fé, para ela, ajuda a enfrentar o momento com serenidade.  

No Brasil, o Sistema Nacional de Transplantes coordena, regulamenta e monitora a doação e o transplante de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano. Os serviços prestados incluem a gestão e o acompanhamento da lista única de espera para transplantes. Até que o paciente seja inscrito nessa lista, há alguns passos:

  • Procurar um estabelecimento autorizado para realização do transplante;
  • Passar por avaliação médica especializada e realizar os exames necessários;
  • O paciente será inscrito na lista de espera pela equipe, considerando critérios de compatibilidade.

Quem aguarda algum transplante é classificado de acordo com o órgão necessário, gravidade da doença, tipo sanguíneo e localização. Isso porque o tempo de isquemia, ou seja, do órgão fora do corpo, deve ser considerado e os custos de transporte são arcados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Em 2026 até 14 de agosto, 5.728 transplantes foram realizados no Brasil, liderados por rim (3.776), fígado (1.541) e coração (258), de acordo com o Painel de Dados sobre a lista de espera e transplantes realizados, do Ministério da Saúde. 

(FOTO: Reprodução/Ministério da Saúde)

Para o casal, porém, a fila representa uma oportunidade para uma nova vida e simboliza uma nova chance. “Você depende literalmente da generosidade daquela família que está passando por uma situação tão difícil como a morte de um ente querido, para ter oportunidade de viver”, relatam. 

E é nesse ponto que a doação de sangue, plaquetas, órgãos e medula óssea deixa de ser apenas um método médico e passa a ser aquilo que Paulo aprendeu no hospital, uma forma de olhar para o outro com amor e humanidade.

Nem sempre essa decisão da doação tem essa perspectiva, para algumas pessoas é algo que passa pelo campo da fé. É o caso das Testemunhas de Jeová, que não aceitam transfusões de sangue.

Entre a Fé e o Uso do Sangue

As Testemunhas de Jeová são uma religião cristã composta por 8,8 milhões de pessoas no mundo. Essa religião é conhecida pelo não uso total do sangue, seja para doação ou para transfusão.

Em 20 de março de 2026, o Corpo Governante, grupo que lidera as Testemunhas de Jeová globalmente, lançou um boletim informando a posição deles sobre o uso do sangue e que a decisão de realizar a transfusão autóloga, ou seja, utilizar o próprio sangue em cirurgias, cabe apenas ao fiel.

Corte de 10´55 até 15´35 do Boletim nº 2 de 2026 (FONTE: jw.org)

Isso não significa que as Testemunhas de Jeová não realizam doações e transplantes de órgãos, de acordo com o portal, “embora a Bíblia claramente proíba a ingestão de sangue, não há nenhuma ordem bíblica que proíba especificamente receber tecidos ou ossos. Portanto, doar órgãos ou receber um transplante de órgãos é um assunto de decisão pessoal.”

Para realizarem a doação ou o transplante de órgãos, é necessário que o órgão esteja totalmente esvaziado de sangue antes do procedimento.

Quando um membro da religião precisa passar por algum procedimento que envolva uso de sangue, ele pode entrar em contato com uma Comissão de Ligação com Hospitais (COLIH) para Testemunhas de Jeová, uma rede internacional que atua em mais de 110 países.

As COLIHs são formadas por membros da própria religião capacitados para interagir com médicos, funcionários de hospitais, assistentes sociais e membros do Judiciário. Dentre os serviços prestados estão orientação ética, religiosa e assistência hospitalar, todos de forma gratuita.

No site do grupo, há uma seção de informações para médicos, como documentos com recursos, ferramentas e suporte para profissionais de saúde poderem baixar para saber mais sobre o assunto. Os documentos são separados em 16 temas, entre eles: obstetrícia, trauma e medicina de urgência, oncologia, e transplante.

Autonomia e Liberdade Religiosa

Entre setembro e outubro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou o julgamento dos Temas 952 e 1069, cujos relatores foram os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, que tinham como objetivo discutir a liberdade religiosa e o dever do Estado para assegurar prestação de saúde universal e igualitária.

O STF definiu que as Testemunhas de Jeová possuem o direito de negar tratamentos de saúde por razões religiosas, desde que seja maior de idade, capaz e de que a decisão seja sobre si e não para terceiros. A decisão da recusa deve ser feita de forma livre, informada e consciente, inclusive por diretivas antecipadas. 

As Testemunhas de Jeová utilizam um documento legalmente válido de diretivas que proíbem que realizem transfusões de sangue, independente das circunstâncias. Este documento contém a decisão pessoal do portador quanto ao uso de frações de sangue e procedimentos com o próprio sangue.

Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a ter o dever de incorporar novos tratamentos sem sangue de forma gradual, garantir acesso a procedimentos médicos alternativos eficazes quando disponíveis, e caso não exista na cidade do paciente, o poder público deve pagar o transporte e a hospedagem para outra cidade ou estado.

No dia 20 de janeiro de 2026, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) emitiu um parecer sobre a recusa de tratamentos médicos que utilizam sangue por motivos religiosos após a decisão do STF:

Parecer do CREMESP sobre a recusa de tratamentos médicos por motivos religiosos 
(FOTO: Reprodução/CREMESP)

Métodos Alternativos

De acordo com o artigo “Opções terapêuticas para minimizar transfusões de sangue alogênico e seus efeitos adversos em cirurgia cardíaca: Revisão sistemática” publicado pela Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular em 2014, desde a década de 1980 vários estudos vêm avaliando segurança e eficácia das transfusões de sangue.

Nos últimos anos, os hemocentros estão com os estoques cada vez mais críticos. Em março deste ano o G1 realizou uma reportagem informando que um dos hemocentros de Bauru, o Hemovida estava com apenas 10% da capacidade total de bolsas de sangue, enquanto ainda registrava a mesma quantidade de pessoas que necessitavam de transfusões.

Segundo a reportagem, os tipos de sangue que estavam com o nível de estoque mais críticos eram o tipo O- e O+, pois são os mais utilizados em transfusões. O Hemovida é responsável por abastecer os hospitais particulares da cidade.

(FOTO: Colsan)

No Brasil a venda de sangue é proibida pela Lei nº 10.205/01, porém os hospitais e hemocentros têm custos operacionais com coleta, testes em laboratório, processamento e transporte, todos custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 1 bolsa de sangue pode custar entre R$300 e R$800.

De acordo com o Jornal da USP, menos de 2% da população brasileira é doadora de sangue e, ao analisar as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a faixa ideal seria entre 3 a 4% da população que realizasse doações de sangue. Portanto, existe uma preocupação médica sobre o que fazer se o paciente estiver sangrando e não existir sangue disponível para transfusão.

Por conta disso, passaram a investir em pesquisas para criar e aperfeiçoar métodos que não precisassem do uso de transfusões. De acordo com o artigo, ficou evidente que a transfusão de sangue em cirurgia cardíaca (cirurgia que mais necessita do uso de sangue) possui graves efeitos adversos, tais como:

  • Fibrilação atrial (arritmia cardíaca que pode acarretar em derrame cerebral);
  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Infecções respiratórias;
  • Sepse (reação extrema e desregulada do corpo a uma infecção);
  • Infarto do miocárdio;
  • Risco de morte.

Segundo os autores, mesmo após correção de idade, peso, altura e doenças como diabetes e hipertensão, as transfusões de sangue podem resultar num aumento de 70% na mortalidade pós-operatória de cirurgia cardíaca.

A mortalidade está diretamente proporcional ao número de unidades concentradas de hemácias (CH) transfundidas. “Cada unidade de CH administrada pode aumentar em 77% o risco de mortalidade após CRM [Cirurgia de Revascularização do Miocárdio – procedimento cirúrgico feito para restaurar o fluxo de sangue adequado ao músculo do coração]”, aponta o estudo.

O SUS possui 5 métodos alternativos de transfusão de sangue, são eles:

A eritropoietina é um hormônio produzido pelos rins que estimula a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos. 

Como alternativa à transfusão, é usada para corrigir a anemia ao acelerar a fabricação de hemácias no próprio corpo do paciente, aumentando assim a quantidade de oxigênio no sangue sem precisar de doações externas.

Os adesivos teciduais, como a cola de fibrina e selantes hemostáticos, funcionam como agentes tópicos que imitam o passo final da coagulação do corpo.

Esses adesivos selam rapidamente vasos sanguíneos rompidos e tecidos lesionados, reduzindo drasticamente a hemorragia durante cirurgias, assim evitando a necessidade de transfusões de sangue.

Um tipo de doação autóloga, é uma técnica cirúrgica que consiste em o médico retirar sangue fresco do paciente logo após a anestesia e repõe o volume com soro. 

Essa solução funciona como um expansor de volume que não contém sangue; assim, o sangue que ainda resta no paciente é diluído contendo menos glóbulos vermelhos. Durante a cirurgia, o sangue é desviado para bolsas e devolvido ao paciente durante e/ou ao término da cirurgia. Essa técnica é eficaz em procedimentos cirúrgicos com perdas de sangue previstas superiores a 1000 mL. No caso de uma grande perda sanguínea durante a cirurgia, o paciente hemodiluído perderá menos quantidade de glóbulos vermelhos.” – Karina Watanabe, Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 49, n. 4, p. 339-343, 2017.

Também um tipo de doação autóloga, é conhecido como autotransfusão intra operatória ou método Cell Saver, que funciona por meio de um aparelho estéril que suga o sangue perdido no corte da cirurgia, limpa e lava as células vermelhas, e devolve esse mesmo sangue limpo para a veia do paciente ainda durante a operação.

Outro tipo de doação autóloga, é um método em que o paciente doa o próprio sangue para ser usado em uma cirurgia programada. 

O processo começa semanas antes da operação com a retirada e o armazenamento de bolsas de sangue do próprio paciente. Caso haja perda de sangue na cirurgia, esse mesmo sangue é devolvido ao corpo.

De acordo com o Governo Federal, o Ministério da Saúde tem construído uma parceira com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) na realização do “Curso de Gerenciamento do Sangue do Pacientes”, para divulgação do conhecimento e capacitação da rede assistencial do SUS para os benefícios e oportunidades que os métodos alternativos ao sangue trazem.


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